"Espíritas" tentam dissimular Teologia do Sofrimento

(Autor: Professor Caviar)

O "movimento espírita" é adepto da Teologia do Sofrimento? Sim, mas ninguém assume. Observamos isso nas frases "sábias" de Francisco Cândido Xavier e fizemos essa constatação que soa muito "dolorosa" para os "espíritas".

Fazer o quê? Chico Xavier falava que a gente deveria sofrer em silêncio, não mostrar o sofrimento para os outros, orar de preferência calados e aceitar a dor para obter uma "graça futura", esperando pelas "bênçãos eternas do porvir" (ou seja, o além-túmulo). 

Chico Xavier via no sofrimento humano um "processo necessário" para a "evolução do indivíduo". É exatamente isso que Madre Teresa de Calcutá dizia: "o sofrimento como um caminho para se chegar a Deus". E o que isso significa? Teologia do Sofrimento, evidentemente.

As pessoas não costumam analisar ideias. Aceitam tudo sem verificar. No exterior, se analisou as ideias de Madre Teresa de Calcutá e foi fácil identificar as perversidades. Ela foi chamada de "anjo do inferno" porque alegava que o sofrimento era um "presente de Deus" e o desgraçado tinha que aceitar essa condição se quisesse obter as "bênçãos eternas".

HIPOCRISIA "ESPÌRITA"

Aqui Chico Xavier é visto como "ativista" e "progressista" pelas mesmas ideias que mostraram o lado perverso de Madre Teresa, e ninguém questiona, pelo menos dentro de um contexto de visibilidade e forte influência social. E fica fácil para os "espíritas" que professam a Teologia do Sofrimento renegarem, no discurso, essa mesma ideologia.

E o que vemos nas publicações e nos eventos "espíritas"? Fotos de pessoas alegres abrindo os braços para o céu, crianças brincando, passarinhos voando, homens e mulheres sorridentes, e tudo quanto é promessa para "ser feliz", "melhorar de vida" e tudo o mais. Tanto discurso, tanta retórica, tantas promessas e a gente vê que, na prática, nada ocorre.

Pessoas vão felizes para doutrinárias "espíritas". São assaltadas na esquina. Mães expressam sua devoção a esta doutrina igrejista. Depois, vê morrerem seus melhores filhos. Pessoas angustiadas fazem tratamento espiritual. Em vez de resolver problemas, contraem encrencas piores. Ler um livro com mensagens de Emmanuel dá mais azar do que quebrar um espelho de casa.

E aí vemos os "espíritas" fazendo recomendações um tanto hipócritas. "Elimine sua raiva, mude seus pensamentos", "Trabalhe a esperança dentro de si". Até Chico Xavier, diante de nossas desgraças, dizia que, enquanto a gente sofria, os passarinhos continuavam cantando, o rio seguia seu curso, as plantas cresciam e blablablá, blablablá, blablablá.

Que ver a Natureza é lindo, vá lá. Que, enquanto choramos, gaivotas fazem um balé no céu, isso é verdade. Mas Chico Xavier acabou sendo sádico quando dizia que, enquanto sofríamos a pior desgraça, os passarinhos cantaram. E ele se equiparou com Madre Teresa, nesta forma negativa, sendo mais um "anjo do inferno", ou melhor, um "anjo do umbral".

Não há como uma doutrina confusa que, por suas contradições naturais - diz ser "fiel" a Allan Kardec e comete traições contra ele o tempo inteiro - , atrai a ação de espíritos levianos, dizer para as pessoas não sofrerem, para elas mudarem o pensamento, para que cortemos a raiz da revolta etc, enquanto as limitações são severas demais, as dificuldades de superação muito árdua e os obstáculos praticamente insuperáveis.

É NATURAL REVOLTAR-SE CONTRA SOFRIMENTO

Muito fácil pedir para quem sofre mudar o pensamento, ficar feliz com a dor e achar que pode sorrir e ser brincalhão quando lhe faltam as coisas mais essenciais. Paciência, é o instinto do ser vivo. A pessoa se torna revoltada e irritada quando as barreiras se tornam mais difíceis de serem superadas.

Imagine um gato ou um rato quando são acuados. Em certos contextos, são animais dóceis e que podem até ser acariciados. Mas quando são acuados, eles se tornam agressivos e a primeira pessoa que eles encontram na frente é atacada, quando o animal em questão avança e morde ou arranha.

A raiva ocorre porque as limitações são sucessivas. A pessoa faz sua parte: se esforça, desenvolve um jogo de cintura, tenta compreender as dificuldades para tentar superá-las, tem iniciativa, junta o pouco de suas emoções para agir com calma, Até melhorar os sentimentos desenvolver a alegria, ter esperança e tudo o mais a pessoa faz. E, se nada ocorre, aí o erro não é dessa pessoa.

Fecham-se dez portas. Promete-se que uma janela se abrirá, mas ela não abre. Ou então é uma janela pequena e que vai para um mau caminho. Quanto à janela que não se abre, tem-se que derrubá-la? Os sofrimentos são severos demais e, praticamente, a Teologia do Sofrimento espera que a pessoa se transforme num assaltante ou num pistoleiro para tentar frear o sofrimento que foi além da dose.

O "remédio" é excessivo. Os efeitos colaterais aparecem. A realidade é muito dura, bem diferente dos apelos sorridentes para "mudar os pensamentos" e "eliminar a raiva". Não adianta reagirmos à amarga realidade com esperanças. se ela torna-se difícil demais para que pudéssemos ter coragem e disposição para sorrir.

É muito fácil pedir aos outros que sorriam enquanto sofrem. Difícil são os "espíritas" admitirem seus erros e pensarem nos problemas que deveriam ser resolvidos. E isso a doutrina que dissimula a Teologia do Sofrimento ignora por completo. Quem tem que "mudar os pensamentos" é o "movimento espírita".

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