Chico Xavier e a criminalização do raciocínio


(Autor: Kardec McGuiver)

Graças a deturpação e a aceitação de lideranças duvidosas, o "Espiritismo" brasileiro virou uma seita marca por inúmeras contradições.  Uma das maiores contradições é justamente relacionada com a racionalidade da doutrina original, simultaneamente aceita e questionada pela versão deturpada praticada no Brasil, por influência do beato católico Chico Xavier.

Para o "Espiritismo" brasileiro, assimilar alguns pontos da doutrina de Kardec é mera propaganda, pois dá prestígio à versão deturpada a sua associação com o professor lionês. Mas pouco se aproveitou da doutrina original. O "Espiritismo" posto em prática no Brasil nunca passou de uma coletânea de mitos e rituais importados da Igreja Católica, temperados com um pouco de misticismo e falsa racionalidade.

O "Espiritismo" brasileiro sempre fingiu apreço pela racionalidade e pela ciência. Mas não que pensar ajudasse no desenvolvimento da versão deturpada da doutrina. pelo contrário. Se pegarmos todos os pontos citados nas obras assinadas por Chico Xavier e usássemos a lógica, facilmente tais dogmas seriam derrubados. Xavier defendia um monte de absurdos que contradizem a doutrina que ele quis abraçar e que todos pensam ser ele a sua maior liderança.

A função da ciência no "Espiritismo" brasileiro é uma só: servir de carimbo de autenticidade aos dogmas absurdos consagrados pela deturpação. Colônias Espirituais? Absurdo! Mas vem a "ciência" e carimba, está tudo bem. Crianças Índigo? Tolice! Mas chega a "ciência", carimba e tudo tranquilo.

Isso acontece com os dogmas do "Espiritismo" brasileiro. Obviamente não por cientistas sérios. Geralmente o "OK" é dado por cientistas medíocres deslumbrados com a versão deturpada da doutrina, onde uma aura de falsa bondade contagia a todos através do ad passiones, tipo de falácia a seduzir almas ingênuas, travando qualquer forma de racionalidade plena.

É desta forma que os "espíritas" brasileiros desejam que ... digamos... ciência participe no "Espiritismo" brasileiro. A verdadeira racionalidade continua não só reprovada, como acontece em quase todas as religiões, como ela é criminalizada. Pensar é um crime para os "espíritas" brasileiros.

E porque pensar é um crime? Porque ao pensar, os dogmas são analisados e verificados com base na lógica e no bom senso. Fatos e mitos são confrontados e contradições postas à prova. O resultado inevitável, que as lideranças "espíritas" temem é o desmonte dos dogmas. Estes dogmas é que sustentam a versão deturpada da doutrina, atraindo/mantendo fiéis e dinheiro. Dinheiro que, é bom lembrar, não vai para a caridade, como acreditam os defensores da deturpação.

Pensar iria desmascarar os farsantes que instalaram um golpe na doutrina, reduzido Allan Kardec a um ídolo a ser adorado no pedestal, mas cujas ideias são completamente ignoradas sobre a desculpa de "atualização". 

Ora, não se atualiza uma doutrina contradizendo-a. "Espíritas seriam muito mais honestos se admitirem que criaram uma doutrina totalmente diferente do Espiritismo original. Diferente e oposta, pois se a original era toda construída com base na racionalidade, a ponto do próprio codificador colocar a racionalidade acima dele mesmo, a versão brasileira jogou o cérebro no lixo, se tornando uma igreja irresponsável que vive a defender mentiras, absurdos e contradições. 

Mas aos poucos a população vai aprendendo a usar o cérebro. E quando finalmente a racionalidade kardeciana se estabilizar, a versão brasileira deturpada pela "santíssima trindade" Bezerra-Chico-Divaldo irá finalmente ruir sem deixar um só grão de poeira como referência. Sinceramente, o cérebro, amigos "espíritas", tem muito mais utilidade do que simplesmente colocar peso na cabeça.

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