Blindando Chico Xavier, Globo exibiu filme sobre temática equivocada

(Autor: Professor Caviar)

No esforço de blindar o "médium" Francisco Cândido Xavier, o "coringa" do baralho religioso da Rede Globo para enfrentar os neopentecostais da Record, a emissora televisiva exibiu mais uma vez o filme As Mães de Chico Xavier, que se revela uma temática equivocada sob a ótica do Espiritismo autêntico.

O fato de divulgar "mensagens mediúnicas" atribuídas a entes queridos é, em si, um grande jogo dos erros, porque vários equívocos se apresentam referente às mesmas, e que muitos se recusam a admitir, tão dominados pela fascinação obsessiva da paixão religiosa. Vejamos:

1) O "médium" deixa de ser intermediário para ser a "grife". Ele é acometido de "culto à personalidade", uma constatação que, à primeira vista, parece cruel e injusta, mas é verídica. Os "médiuns" têm mesmo o "culto à personalidade" que os faz grandes ídolos religiosos. Fogueira das vaidades acobertada pelo aparato de filantropia.

2) As famílias são expostas à exploração sensacionalista de suas tragédias. Em vez da tragédia se consumir em poucos dias, com a volta à rotina na ausência dos entes queridos, ainda com a dor irreparável e tudo, ela se prolonga em sucessivas reportagens e coberturas, e, mesmo quando supostas mensagens espirituais trazem recados aparentemente consoladores e confortantes, as tragédias, mesmo assim, continuam na pauta, se prolongando por longos e longos tempos.

3) As mensagens mostram fortes indícios de fraudes. Acusações de uso de "leitura fria" até na coleta de informações mais sutis e complexas, em que um amigo de infância fala de um aspecto pessoal do morto que a mãe não sabia e por aí vai, além de diferenças gritantes de detalhes pessoais sutis, como a caligrafia das assinaturas, por exemplo, ou irregularidades como "espírito de criança escrever que nem adulto", põem em xeque (digamos até xeque-mate) quanto à veracidade das mensagens.

4) As "psicografias" simbolizadas pelas mensagens direcionadas às mães estimulam um processo obsessivo, que pode incomodar os espíritos dos que já morreram, diante de tanta carga vibratória pesada. Não se trata de eventuais opções em que espíritos encarnados e desencarnados afins aceitem continuar vivendo juntos, mas de uma exploração mórbida e uma fetichização das mortes prematuras, que, juntas, só trazem mais angústia ao espírito falecido, além do fato de que as irregularidades mencionadas no item 3, que se equiparam, por exemplo, aos trotes telefônicos que muitas famílias recebem, magoa ainda mais o falecido, ao saber que terceiros se passam por ele para mandar recado.

Os quatro itens mostram o quanto Chico Xavier só fez prejudicar a Doutrina Espírita, pois todos eles trazem aspectos que contrariam, de forma seguramente explícita, o que Allan Kardec escreveu em sua obra.

Muitos se iludem com a fascinação obsessiva da paixão religiosa, achando tudo "lindo e comovente", mas se torna um processo muito perigoso de obsessão, já alertado por Kardec. O filme só reforça esse processo obsessivo como uma perigosa tentação a arrancar, sem necessidade, tantas lágrimas das pessoas, ensinando muito errado os princípios da Doutrina Espírita e rebaixando o legado kardeciano a um engodo igrejista cheio de mitos e dogmas antiquados e equivocados.

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