Artigo de Attila Paes Barreto sobre identificação de espíritos

(Autor: Professor Caviar)

Enquanto alguém não tem a façanha de trazer, ainda que por arquivos de PDF na Internet, o livro O Enigma Chico Xavier Posto à Clara Luz do Dia, valioso documento de jornalismo investigativo, fiquemos com o artigo que Attila Paes Barreto, seu autor, publicou sobre Francisco Cândido Xavier na sua coluna Ineditoriais, do jornal carioca Diário de Notícias, de 03 de agosto de 1944:

O "espírito" de Humberto de Campos à luz da ciência de Charles Richet

Por Attila Paes Barreto - Ineditoriais - Diário de Notícias - Rio de Janeiro, 03 de agosto de 1944

Identificação de espíritos

Ao me entrevistar, o distinto e amável redator de um dos grandes vespertinos cariocas achou que eu tinha um modo engraçado (ou positivo?) de dizer as coisas.

A entrevista, porém, que lhe concedi, saiu bastante resumida, pelo que vou repeti-la aqui, em sua parte essencial.

- A família de Humberto de Campos - disse eu ao distinto e amável redator - quer saber se são verdadeiras ou autênticas as obras que se atribuem àquele que em vida foi seu ilustre chefe e um dos mais perfeitos estilistas da língua portuguesa, não é? Pois o que se tem a fazer, em primeiro lugar, é aquilo que, na ciência de que o prof. Charles Richet lançou as bases, se chama "identificação de espíritos" (não se exige um papelório enorme para se identificar um ser humano vivo, que está à nossa frente, e o que estamos vendo? Por que, pois, não se deve identificar, também, certos "mortos"?). Como identificar, porém, o espírito de Humberto de Campos, se ele sumiu mal se soube que sua família tinha ido a juízo? Muito simples. Essas fugas assim repentinas e em determinados momentos são muito de Emmanuel. Certa vez, por exemplo, em Pedro Leopoldo, Chico Xavier (como fazia, depois, com outros) pegou-me pelo braço à porta de sua casa e me conduziu no interior do prédio. Conversamos cordialmente. Na hora, porém, de Emmanuel se manifestar, nada. Tinha sumido.

E prossigo eu, falando ao redator:

- Emmanuel se diz também Publius Lentulus, governador da Judeia nos tempos de Cristo. Ora, de acordo com os dados de que disponho, do ano 6 ao ano 66, destruição de Jerusalém e dispersão dos judeus, governaram a Judeia: de 6 a 9, Coponius; de 9 a 12, Marcus Ambibulus; de 12 a 15, Annius Rufus; de 15 a 26, Valerius Gratus; de 26 a 36, Pontius Pilatus; de 36 a 37, Marcellus; de 37 a 41, Marullus; de 44 a 47, Cuspius Fadus (*); de 47 a 48, Tiberius Alexander; de 48 a 52, Ventidius; de 52 a 60, Félix; de 60 a 62, Portius Festus; de 62 a 64, Albinus; e de 64 a 66, Gessius Florus. De Publius Lentulus (ou Emmanuel), como se vê, nem sombra.

Essa, na sua parte essencial, a entrevista que concedi a um distinto e amável redator de um dos grandes vespertinos cariocas.

Quanto ao mais, no inteiro dispor de Chico Xavier e sua escrita semi-mecânica ou semi-automática.

* * *

Noticiou-se que o sr. Humberto de Campos Filho e o dr. Milton Barbosa irão a Pedro Leopoldo.

Se isso acontecer, ninguém se espante se o "espírito" de Humberto de Campos, à última hora, quando não houver mais por onde escapar, se decidir a dar o ar de sua graça.

O exame gráfico e estilístico revelará, então, que ele é Emmanuel e este, Chico Xavier.

(A caligrafia corrente de uma mesma pessoa pode variar em volume, forma e ângulo de inclinação; no fundo, porém, sua "fisionomia" permanece a mesma).

(*) No reinado de Herodes, o governo da Judeia foi entregue a um procurador.

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