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Dissecando a mitologia de Chico Xavier

(Autor: Kardec McGuiver)

Você passa boa parte da vida acreditando em certas coisas. Desde a infância você toma certos seres reais ou não como heróis ou tutores. Você cresce acreditando neles e até faz planos de vida baseando nesta confiança. Até que chega um momento que você descobre que tais tutores são uma farsa.

Todos que descobriram que Papai Noel não existe sempre regem com algum desconforto. O Papai Noel representa muitos valores positivos para que acredita nele. Se observarmos bem a lenda de São Nicolau que foi associada a ele, veremos que havia beleza na estória e essa beleza fascina e nos estimula a transferi-la para a vida real.

Mas no meio da infância, quando entramos na fase tween, a parte final da infância que se prepara para a adolescência (o tween é uma faixa etária culturalmente influente na atualidade, bom lembrar) acabamos por descobrir que o velhinho vestido de vermelho (era verde, mas a Coca-Cola mudou a cor e ficou nisso mesmo) não passa de pura ficção.

Crescemos, mas as ilusões continuam. E as religiões chegam para tentar manter a mania de elegermos tutores imaginários para criara a ilusão de que estamos protegidos. Tiramos o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa e o Bicho Papão e colocamos as divindades religiosas no lugar. Como na infância, acreditamos que elas são reais, embora não haja nenhuma evidência que prove sua existência. E mesmo reais, certas "divindades" na correspondem à divinização. Até porque divindades não existem. A divinização é algo típico de mitologias e lendas.

O "Espiritismo" brasileiro transformou um cidadão em divindade viva

A versão brasileira do "Espiritismo", na verdade uma deturpação que vive fingindo fidelidade a Kardec traindo-o o tempo todo, acabou se transformando em um Catolicismo moderado que acredita em reencarnação. Nunca entendeu os pontos originais da doutrina e só se lembra da ciência quando esta serve para autenticar as ilusões que os "espíritas" brasileiros acreditam. 

Fundado por dissidentes católicos que acreditavam em vida pós-morte, o "Espiritismo"brasileiro que bajula Kardec mas segue Roustaing, sentiu falta de santos e divindades para representar os guias de sua fé cega que finge ser raciocinada. Tratou logo de forjar seus "santos" e com a chegada de um caixeiro viajante que falava com mortos, tão católico quanto os fundadores, veio a oportunidade de ultrapassar as outras religiões e criar a primeira divindade viva, canonizada ainda em sua presença física.

Chico Xavier correspondeu a essas ilusões. Era perfeito para ser o "Papai Noel" real para os brasileiros. Estereotipado como a "bondade reencarnada" (embora a sua ajuda tem sido apenas paliativa e de dimensões muito reduzidas, se compararmos a seu mito arraigado de "bondade extrema"), o médium foi imediatamente transformado em "verdade absoluta", com a intenção original de abafar as acusações de charlatanismo associadas a médium.

A FEB, (Federação "Espírita" Brasileira), que comete o erro de não se assumir roustainguista, fingindo seguir Allan Kardec, se empenhou em desenvolver o mito de Xavier para que os livros escritos por este pudessem vender muito, gerano renda que supostamente iria para a caridade, mas conseguia manter os luxos da diretoria e o financiamento de caríssimos filmes neo-bíblicos sobre as lendas difundidas pela deturpação doutrinária.

Xavier foi a figura perfeita para isso. E a mitologia construída ao seu redor não apenas era conveniente como foi bastante aumentada. Para completar toda a divinização, inventou-se que ele era o ser humano mais evoluído do século XX, a ponto de ter "encerrado as suas reencarnações" após a sua morte, o que seria uma baita injustiça divina, já que evidências provam que Xavier era bem imperfeito, sabendo muito menos do que deveria uma "liderança máxima" correspondida ao seu mito.

Chiquistas reagem revoltados ás críticas

Se as crianças fazem birra quando o mito de Papai Noel é contestado, imagine os adultos em relação às divindades em que acreditam. Adultos rosnam, revoltam-se, agridem. 

Com o surgimento das redes sociais, pessoas sensatas que nunca acreditaram nas distorções da FEB ganharam oportunidade para contestar seus erros. Não que isso não fosse feito antes (vários contestaram a mitologia "espírita" como Angeli Torterolli,  André Dumas, Gélio Lacerda, entre outros). Mas a internet deu voz aos que se recusaram a aceitar essas distorções, entendendo que o que os centros faziam tinha na verdade base roustainguista, nada estando de acordo com o Kardecismo em que insistiam em se associar.

A desonestidade filosófica do "Espiritismo"brasileiro criou mitos, dogmas, coisas estranhas que na verdade pretendiam transformar a doutrina em uma seita a mais na concorrência religiosa dos que vivem se assumindo coo "A Verdade". Se todas querem ficar cada uma com a uma verdade, é porque nenhuma delas está com a verdade, que só pode ser obtida com a lógica. E lógica só nasce da dúvida.

E como representante máximo dessa deturpação, verdadeira isca a atrair fiéis a engordar os cofres da FEB, Chico Xavier, que por si só já contraria toda a doutrina original, é constantemente criticado por pessoas sensatas que não aceitam que um católico típico seja considerado espírita só porque falava com os mortos, já que ele nunca entendeu a doutrina e escreveu livros que contradiziam violentamente muitos pontos defendidos nas obras da codificação.

Fãs do médium ficaram revoltados com as críticas. De início, até tentavam catar argumentos que pudessem justificar o médium como "liderança espírita". Carecendo de argumentos convincentes, restou aos chiquistas o mito de "bondade máxima" associado ao médium que para seus admiradores soa como uma perfeita zona de conforto a ser defendida com insistência. Ninguém quer se livrar de Chico Xavier, embora fosse altamente recomendado que o médium caísse no esquecimento.

Mito de bondade começa a ser questionado

Só que este mito de "bondade máxima" já começa a ser questionado, o que pode fazer com que Xavier seja definitivamente esquecido. Além de sua bondade ter sido meramente paliativa (é fato não ter influenciado de maneira consistente na transformação social dos brasileiros), o médium ainda despertava muitas dúvidas quanto a isso, já que obsediava mortos, praticava fraudes e mediunidade irresponsável, cometeu falsidade ideológica e estimulava a Teologia do Sofrimento.

Isso tudo somado com o agravante de ter defendido a Ditadura Militar justamente sem sua fase mais sangrenta. Se depender do que dizia Xavier, o recém falecido Ustra deve ter também encerrado a capacidade de reencarnar, por ter "colaborado com a construção do Reino de Amor". Reino de Amor marcado por jovens fascistas a sonhar com a volta da ditadura, e a desejar o mal a todos que diferem dos pontos de vista subjetivos que defendem.

Como veem, nem mesmo para filantropo, Chico Xavier serve. Ele foi uma perda de tempo precioso para a sociedade brasileira. Uma erva daninha que precisa ser extirpada urgentemente. O médium foi a grande trava que emperrou a evolução espiritual do Brasil. Nunca precisamos de Chico Xavier. O país teria sido muito melhor sem a sua "magnífica" influência.

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