Chico Xavier não correspondia ao estereótipo do charlatão, apesar de ter sido


(Autor: Kardec McGuiver)

Há um bom tempo muitas lideranças religiosas tem sido denunciadas pelos seus erros, seja de qualquer tipo for. Menos no "Espiritismo" brasileiro, ainda gozando de boa blindagem. Mas porquê?

As lideranças "espíritas", com a exceção de uns menos influentes, gozam de absoluta blindagem porque não correspondem ao estereótipo do charlatão que as pessoas conhecem. Brasileiros adoram estereótipos e costumam definir as coisas através deles, o que exige menos esforço intelectual.

A FEB, que criou o mito Chico Xavier, tomou todo o cuidado possível para que ele fugisse ao estereótipo do charlatão. Inicialmente acusado como tal, após ter escapado de um processo judicial por causa do livro Brasil, Coração do Mundo, foi iniciada uma força tarefa bastante ativa para recuperar o prestígio do médium, transformando-o em uma divindade viva.

Além de esconder os defeitos reais do médium (que errava mais do que acertava), a FEB tratou de recrutar escritores para inventar qualidades e até superpoderes que eram contados através de lendas criadas inspiradas no Jesus mitológico criado pelo Catolicismo. Era necessário transformar Xavier em algo sobre-humano para que pudesse se tornar uma "verdade absoluta".

Até  mesmo a orientação feita ao médium (que indícios sugerem que não tinha capacidade de decisão própria) de não enriquecer (pelo menos ostensivamente), inventando que as vendas dos livros "iriam para a caridade", reforçaram essa mitologia, livrando Xavier das acusações de que estaria usando a fé alheia para se promover. Usava, até usava, mas não da maneira tradicional dos outros charlatães.

Esta dissociação ao estereótipo do charlatão típico é que blinda Xavier e as grandes lideranças da deturpação "espírita" brasileira como Yvonne, Divaldo, Medrado, Gasparetto e outros, das acusações do charlatanismo que de fato praticavam e (os vivos ainda) praticam.

E por isso mesmo que a versão distorcida da doutrina ainda e tão seguida e respeitada por muitos, carecendo de alguém com visibilidade e poder de influência coletiva para denunciar toda a farsa que se esconde nesse estranho "kardecismo" com "CH".

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