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Como combater a deturpação do Movimento Espírita Brasileiro?

(Autor: Profeta Gandalf)

Uma coisa que entristece todos aqueles que usam alógica e querem seguir fielmente a doutrina codificada por Kardec, é que os erros embutidos na versão brasileira da doutrina estão bastante arraigados, fazendo inclusive parte das normas de funcionamento das casas espíritas, proporcionando um sincretismo enrustido que mais confunde do que ensina.

Do mesmo modo como acontece com aqueles que não curtem futebol, completamente ignorados por uma massa hipnotizada que vê nesta modalidade esportiva uma compensação forçada para a felicidade que não conseguem adquirir de modo mais concreto, os espíritas mais lógicos também são desprezados pelas grandes massas que, deslumbrados com a figura carismática de Chico Xavier, o adotam como se ele tivesse também participado da codificação, com muitos acreditando infantilmente que o espírito de Kardec habitava seu corpo. Um erro bastante agressivo, mas infelizmente obedecido por uma grande maioria.

Aliás, o carisma de Xavier faz dele o líder máximo do Movimento Espírita, no Brasil e, apesar da sua personalidade submissa, o que vinha de sua boca se transformava em lei para os seus seguidores, sem analisar o proposto real do que era dito. E muita confusão surgiu a partir disso, infelizmente permanecendo na "bula" da doutrina, resultando naquilo que vemos hoje.

E como combater isto? Devemos ir aos centros e conversar com os diretores e administradores que isso não é assim, é assado? É meio difícil, já que se na maioria dos centros, os próprios administradores seguem fielmente os ditames da FEB, entidade que apoia todos esses erros quando na verdade deveria combater, em outros centros, há interesses a serem mantidos com os procedimentos febianos. É quase impossível qualquer conversa, sem tensões.

Os brasileiros, que em vários setores (lazer, esportes, cultura, política, cotidiano, etc.) tem demonstrado uma aversão teimosa ao questionamento profundo e uma preferência aquilo que seja puramente emotivo, certamente preferem o Espiritismo do jeito que está, com médiuns carismáticos transformados em líderes, rituais que não combinam com um ambiente de estudo e crenças em absurdos que não fazem o menor sentido. Tudo isso com a reprovação de Kardec e de todos os encarnados e espíritos que participaram das pesquisas que resultaram na codificação.

Tentar mudar o esquema de funcionamento dos centros seria o ideal. Mas para isso, teria que se conversar muito e não é uma tarefa fácil, já que além de tudo que falei, muitas obras de conteúdo duvidoso, lançadas em nome da doutrina, ainda regem o funcionamento dos centros. Combater gente com prestígio como Zíbia Gasparetto e Divaldo Franco, exige o mesmo prestígio para quem estiver disposto a questioná-los. As pessoas obviamente vão preferir ficar do lado de gente consagrada, já que, tradicionalmente, na sociedade brasileira, o prestígio de quem diz vale mais do que a ideia que é dita. Se uma pessoa de prestígio fala algo correto, tudo bem. Mas se diz algo errado, ferrou tudo e tal asneira vira lei. Por isso que é tão difícil combater esse estrago que deveria ter sido evitado há décadas.

Cabe aos que, como eu, não concordam com essa mistureba na doutrina, digna de lavagem de porco, se unirem e continuarem com o seu trabalho de questionamento, angariando aos poucos a simpatia de mais pessoas e com isso, angariar prestígio forte para combater esses nomes consagrados que usam o seu prestígio, somada a sua falta de informação, para difundir um monte de ideias que confunde e muito as cabeças inocentes de quem as ouve alegremente.

Façamos a nossa parte e insistamos nela. A luta, eu sei, é difícil e dolorosa e desperta a ira de quem está do lado dos mistificadores. Mas se insistirmos em nosso combate, com certeza quem estiver do lado da razão vai entender que todo esse misticismo foi em vão e serviu apenas para dar prestígio e dinheiro a quem não estava muito interessado em saber mais sobre a verdade.

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