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Grupo religioso se reúne em Brasília para vigílias e orações

(Autor: Equipe Dossiê Espírita)

Na noite de ontem, um grupo de vinte religiosos se reuniu em Brasília para fazer uma "vigília". A reunião ocorre toda terça-feira e o grupo, aparentemente sem fins ideológicos nem bandeiras, tem como único objetivo "pedir bênçãos para o Brasil". O grupo reúne católicos, evangélicos e "espíritas".

A coisa, a princípio, parece bem intencionada. Pessoas dotadas com alguma esperança, se reunindo sem se preocuparem com desavenças pessoais, para pedir que vibrações positivas cerquem o Brasil e permitam criar energias psíquicas para superar a crise. Seria muito bom se não fosse um detalhe: as religiões costumam também participar em movimentos que pedem soluções golpistas.

Segundo o historiador Jorge Ferreira, até "espíritas kardecistas" participaram da Marcha da Família Unida com Deus pela Democracia, movimento que impulsionou o golpe civil-militar de 1964. Recentemente, as manifestações pelo "Fora Dilma" tiveram adesão sobretudo de seitas neopentecostais e o aval do "movimento espírita".

Quem não se lembra de nomes como Janaína Pascoal, a juíza que participou da elaboração do pedido de impeachment de Dilma Rousseff? E nomes como Marco Feliciano e Jair Bolsonaro, comprometidos com causas moralistas retrógradas? E o ator Alexandre Frota, depois da ascensão de Michel Temer ao poder, sendo divulgador da Escola Sem Partido? Todos eles são evangélicos.

E o "movimento espírita"? Robson Pinheiro escreveu "psicografias" atribuindo forças astrais à suposta corrupção do PT. Robson e o "Correio Espírita" chegaram a atribuir "começo de uma era" para manifestações de "coxinhas" vestidos com a camiseta da (corrupta) CBF que, em parte, queriam até "intervenção militar" (eufemismo para um novo golpe militar).

Essas manifestações, nas quais se viu jovens fazendo grosseria, baixando as bermudas para mostrar seus glúteos nus para ridicularizar a presidenta Dilma, além de cartazes com símbolos nazistas e até senhoras descansando com o cartaz "Por que não mataram todos em 64?", foram definidas como "momentos de despertar político da juventude" e há quem tenha suposto que o Brasil estava inaugurando um "período de regeneração".

Os católicos é que parecem mais moderados, tanto pelo conservadorismo mais ameno de alguns setores e pelo progressismo de outros setores. Eles passaram os "espíritas" para trás em termos de visão progressista e a Igreja Católica hoje assumiu uma abordagem mais moderna, que os "espíritas" nem de longe conseguem mais fazer.

Já o "espiritismo" brasileiro parece acompanhar, à sua maneira, o ultraconservadorismo dos neopentecostais. Se estes pretendem retroceder o Brasil aos padrões moralistas do tempo de Moisés, os "espíritas" sonham em ver o Brasil num contexto sócio-religioso e místico dos tempos do imperador Constantino.

Na prática o "espiritismo" está se formatando para ser a versão atualizada do velho Catolicismo jesuíta português, que vigorou no Brasil no período colonial, e que entrou em declínio depois que o então primeiro-ministro português Marquês do Pombal, adotando um rígido corte de gastos para fazer Portugal recuperar-se de um violento terremoto, decidiu cortar as atividades da Companhia de Jesus na então colônia sul-americana.

Daí que há uma certa incoerência em muitas atividades "espíritas", na verdade com forte ranço católico, como a obsessão por preces. A religião abraçou a causa medieval da Teologia do Sofrimento e o governo Temer contava com uma agenda política bem ao gosto dos "espíritas", como as reformas trabalhista e previdenciária e a Escola Sem Partido, cujo projeto não difere muito do que já é adotado na Mansão do Caminho de Divaldo Franco.

Deste modo, a religião que pede para as pessoas aceitarem o sofrimento - como fazia Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier - e definiu o momento atual como "início de regeneração" deveria se repensar antes de apelar para preces por um país melhor. Afinal, o que o país sofre hoje em provações está muito de acordo com o velho moralismo adotado pelos "espíritas".

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