Parceiro de Chico Xavier não consegue ajudar 1% da população de Salvador

(Autor: Professor Caviar)

Muitos sabem que Divaldo Pereira Franco é parceiro de Francisco Cândido Xavier e, como este, busca reputação nas atividades de anti-médium e pretenso ativista e pensador da caridade. Ambos são conhecidos por deturpar, da forma mais leviana possível, a doutrina de Allan Kardec mas, mesmo assim, serem projetados como os "maiores seguidores" da Doutrina Espírita no mundo.

Divaldo, a atração principal da missa "ecumênica" Você e a Paz, que todo ano, em 19 de dezembro, acontece em Salvador, também é propagado como o "maior filantropo do mundo", responsável pela Mansão do Caminho, no bairro de Pau da Lima, que foi o foco de uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo de Televisão, em fevereiro deste ano.

Segundo o repórter Marcelo Canellas, a instituição, fundada em 1952, atendeu, ao longo de toda sua existência, cerca de 160 mil pessoas. Parece um número grandioso a inspirar todo um alarde em torno da instituição, rendendo a Divaldo todos os prêmios e medalhas que acumula de autoridades e de chefes de várias instituições e órgãos humanitários.

No entanto, foi feito um cálculo lógico, trazido pelo blogueiro Senhor dos Anéis, do Dossiê Espírita, que mostra que a façanha não tem o brilhantismo que garante toda a festa e todo o carnaval em torno de Divaldo Franco, desmerecendo o título de "maior filantropo do mundo".

Segundo Senhor, o cálculo foi dividido em algumas etapas. A primeira foi calcular a média anual dividindo o número divulgado, 160 mil, com o número de anos de existência da instituição, que, fundada em 1952, tem portanto 63 anos de existência.

Desta forma, dividiu-se 160 mil por 63 (160.000:63) e o resultado, aproximado, deu 2.540. Este número é o resultado correspondente ao número de pessoas beneficiadas por ano pelo trabalho da Mansão do Caminho.

Em etapa posterior, considerou-se o número de habitantes de Salvador, oficialmente de 2.902.927. Levando em conta o número de imigrantes do interior da Bahia não creditados pelos recenseadores (os políticos costumam camuflar o êxodo rural destinado à capital baiana, com migrantes transportados por ônibus da Secretaria de Saúde dos municípios do interior, sob o pretexto de levá-los aos hospitais soteropolitanos públicos), arredonda-se o número para 3.000.000, que será o número a ser trabalhado no cálculo.

Adotou-se a prova dos nome. Usa-se 3.000.000 como 100% e 2.540 como "x". Com isso, se estabelece, em relações diagonais, a equação 3.000.000x = 2.540 x 100, o que dá no resultado 3.000.000x = 254.000.

Divide-se então o número 254.000 por 3.000.000 para achar o valor de "x". O resultado obtido é aproximadamente 0,08%, que é a porcentagem dos beneficiados anuais da Mansão do Caminho, o que não justifica os confetes e serpentinas que se fazem em torno de Divaldo Franco.

E nem falamos da qualidade do projeto educacional da Mansão do Caminho, que segue aquele padrão insosso de uma simples escola de alfabetização e formação profissional. Há o dado, a princípio bem intencionado, de ensinar a ler, escrever e aprender uma profissão, mas isso tem o preço de aceitar uma mistificação religiosa e de não ir adiante nas formas convencionais de "vencer na vida".

Portanto, isso não é um trabalho transformador e, se observarmos que a Mansão do Caminho, em todos os seus anos de existência, não ajudou sequer 0,1% da população de Salvador - quanto mais 1% - , então Divaldo Franco não merece o título de "o maior filantropo do mundo".

Primeiro, porque, se o índice de 0,08% é humilhante em relação aos índices populacionais considerados apenas na cidade de Salvador, imagine esse indice se comparado com o total da população brasileira, continental ou mundial. O que Divaldo ajudou, em dimensões globais, é o mesmo que NADA.

Que festa é essa que se faz em torno de Divaldo Franco? Que "maior filantropo do mundo" é esse que, em níveis mundiais, nada ajudou de concreto? E isso quando vemos que ele cometeu estragos terríveis, espalhando a deturpação da Doutrina Espírita pelos quatro cantos do mundo, em turnês financiadas pelo "dinheiro da caridade" para palestras em workshops não muito generosos em taxas de inscrições para os interessados.

E tudo isso para ouvir Divaldo Franco fazer as mesmas mistificações de sempre, com seu discurso rebuscado, sua voz de padre e todos os apelos discursivos para a paz que, sabemos, não trazem resultado concreto algum. Até porque o que ele faz é apenas uma missa, como qualquer outra, em que os apelos de paz entram num ouvido e saem em outro, tão insossos quanto qualquer missa, culto evangélico ou outros. 

Claro que existem exceções, nas missas e cultos. Vide Martin Luther King Jr., um dos brilhantes ativistas negros dos EUA, que havia sido um pastor evangélico de vibrante e bela oratória. Há também católicos, muçulmanos e evangélicos com brilhantes ideias, como existem espíritas autênticos (nada a ver com os deturpadores brasileiros) que transmitem ideias brilhantes e admiráveis.

Mas, lamentavelmente, Divaldo Franco não se encontra nessas exceções, ele que não foi mais do que um mistificador e deturpador do Espiritismo, tanto quanto Chico Xavier, e acrescido ainda pelo discurso rebuscado sem pé nem cabeça que o anti-médium baiano realizou e realiza em suas palestras. 

O discurso empolado de Divaldo Franco não serve de exemplo algum em prol da humanidade, assim como a sua "brilhante filantropia" que não alcançou sequer 1% da população de uma cidade grande. Se o "maior filantropo do mundo" se faz com o dado inexpressivo de menos de 0,1%, então não sabemos mais o que é ajudar o próximo. Estamos perdidos.

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