Os "espíritas" cristãos e a família como instituição

(Autor: Profeta Gandalf)

Em várias oportunidades, alguns blogues espiritólicos (o "Espiritismo" brasileiro contaminado de pieguice e de sincretismos alheios, majoritariamente católicos - também conhecido como chiquismo, por causa da influência do médium católico Chico Xavier) escreveram textos exaltando a importância da "instituição" família. Lendo os textos escritos nestes blogues é evidente e incontestável a presença da influência católica na compreensão dessa importância para os responsáveis por tais textos.

E o que é na verdade a família para a vida do ser humano? Nada além do primeiro grupo social de qualquer indivíduo. Um grupo tão importante quanto qualquer outro. Toda e qualquer oportunidade de contato com outras pessoas é necessária para que se possa ganhar aprendizado com as experiências alheias. Não há hierarquia de importância, dependendo apenas do tipo de experiência que será ganha.

O culto à família é um enxerto católico e protestante. Se baseia na "Sagrada Família", onde havia Jesus, sua mãe Maria, conhecida como "Nossa Senhora" e seu pai supostamente adotivo José (nomes traduzidos para o português - certamente que em aramaico os nomes não sejam estes). A intenção é firmar este grupo como meio de imobilizar os indivíduos, ensinando através da obediência aos pais, a obediência ao sistema, sobretudo a autoridades e patrões, transformando qualquer indivíduos em um robô social a satisfazer as vontades de quem o comanda.

Família é importante, mas não é o mais e nem o único importante grupo social

Não que se deva ignorar a importância da família. Mas colocá-la como instituição a ser cultuada e obedecida não ajuda em nada a evolução intelectual do indivíduo. E subestimar as outras formas de contato humano também não ajuda em nada.

Vou contar a minha experiência pessoal. Minha relação com meus pais e meu irmão são excelentes. Para as religiões, esse sucesso bastava para que eu fosse uma pessoa feliz e realizada. Mas o aprendizado vindo da vida social não veio da forma adequada, pois sempre tive problemas de socialização, além de ter sido vítima de humilhações na infância e adolescência e de desprezo e limitações de direitos na vida adulta. Atrasei minha vida profissional e afetiva por conta de uma péssima experiência social. E aí, vale a pena continuar achando que só família basta?

Ainda mais no mundo de hoje, onde a estrutura familiar tem mudado bastante. As religiões se preocupam inutilmente com isso, pois para ela interessa apenas a forma. Mas fatos provam que famílias com estrutura diferente da tradicional conseguem educar muito bem as crianças, graças ao equilíbrio mental e ético dos integrantes das mesmas, seja de que tipo for.

Família, o Espiritismo e o "Espiritismo"

O culto a família é algo que não combina com a Doutrina Espírita. Para a DE, o mais importante são as lições que se ganham das relações humanas, não as instituições em si. Quando os chiquistas falam da família na verdade estão sendo bem católicos (sem aspas, de propósito), pois estão muito mais preocupados com a estrutura aparente do que com a lição a se tirar dela. 

Um erro, pois cultos não são aprovados pela DE. Família também não foi feita para ser cultuada. É apenas uma das muitas oportunidades que temos para utilizar a experiência alheia, que varia de pessoa para pessoa, como uma impressão digital que nunca se repete, ao nosso favor. Pois só sabendo o que aconteceu com o outro é que poderemos imaginar possíveis consequências de nossos atos e evitar cometer os mesmos erros. E para este objetivo, qualquer grupo social serve como nossa família. Qualquer um mesmo.

E o que é mais importante: para o verdadeiro Espiritismo, as famílias são transitórias. Uma experiência que tem a sua necessidade num determinado momento e que na hora certa tem que se dissipar. Não existe família na vida espiritual, o "amor" materno é na verdade um instinto material e quando morrermos, os graus de parentesco se desfazem feito fumaça, não sendo mais necessários na para o convívio na erraticidade.

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