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Paixões religiosas: perigoso fenômeno que protege deturpadores do Espiritismo

(Autor: Professor Caviar)

Tão perigosas quanto as orgias do sexo, do dinheiro e das drogas são as orgias da fé, do deslumbramento religioso, da idolatria cega aos astros das seitas religiosas, mesmo que tudo isso esteja dissimulado pelos pretextos de amor, humildade e caridade.

O êxtase oculto das comoções fáceis, o entretenimento das estórias "belas" de sofrimento e superação, que fazem com que as pessoas, sem saber, se divirtam com a desgraça alheia. As mistificações, o balé de belas palavras, o ambiente alucinógeno em que canções relaxantes temperam os ambientes a promover uma emotividade nas plateias já tomadas de muitas fantasias e sonhos.

As paixões religiosas viraram o escudo protetor dos deturpadores da Doutrina Espírita, que se acharam na liberdade, absoluta e impune, de praticamente virar de cabeça para baixo o legado trazido com muita dificuldade pelo pedagogo Allan Kardec e criar muitas e muitas confusões. As paixões religiosas garantem a impunidade, porque os deturpadores do Espiritismo podem fazer das suas, criando todo um clima de desordem e polêmicas desnecessárias, e ainda conseguem convencer com suas falsas poses de vítimas.

Quantas armadilhas se escondem no balé de palavras bonitas e no simulacro de filantropia que quase nunca ajuda em definitivo. Um teatrinho no qual os miseráveis são sempre os mesmos, aquelas famílias que só recebem um punhado de donativos, mas nunca conseguem romper com sua pobreza, ou, na melhor das hipóteses, só superam de maneira inócua e superficial.

Existe uma planta, chamada mancenilheira, originária da Flórida, existente em muitas praias, também em outras áreas das Américas. É uma árvore lindíssima, com folhas de verde brilhante e seus frutos parecem maçãs e possuem sabor delicioso. Mas é uma árvore venenosa na qual não se deve tocar seu tronco, pois pode causar queimaduras e até morte. Em contato com os olhos, causa cegueira. As frutas também têm o mesmo perigo.

Conhecida como "árvore da morte", ela não existe no Brasil. Não precisa. Existe o "espiritismo" feito no Brasil, que traz um aparentemente insólito azar para as pessoas. Há casos de muitos atores, desenhistas, humoristas, diretores de TV e pessoas comuns que, com o contato com o "espiritismo", sofreram revezes na vida e perderam entes queridos do nada, geralmente filhos em tenra idade.

Parece cruel falar que o "espiritismo" traz muito azar, mas a verdade é que a doutrina brasileira cometeu tanta desonestidade que atraiu espíritos traiçoeiros, já que até mesmo as atividades mediúnicas se corromperam num faz-de-conta típico das brincadeiras de "tábua Ouija", criando uma inversão ao que Kardec havia feito.

Se Kardec observou as mesas girantes para fazer um trabalho criterioso, sério e questionador, os deturpadores do legado do professor lionês inverteram, reduzindo as pesquisas sobre comunicação com os mortos num recreio de falsas mensagens espirituais, que criam um entretenimento fútil marcado pelas paixões religiosas e pelo sensacionalismo.

Isso maculou gravemente o Espiritismo no Brasil e manchou o nome de Kardec, visto com muito descrédito. Mas as paixões religiosas fazem com que os deturpadores do Espiritismo é que saíssem imunes a tudo, escondidos numa aparente filantropia que serve mais para exaltar seus nomes igrejeiros do que para ajudar profundamente a sociedade.

Chico Xavier, Divaldo Franco e outros, sendo um dos mais recentes o curandeiro e latifundiário goiano João de Deus, tornaram-se os maiores arrivistas do país e os maiores espertalhões nas últimas décadas, sendo verdadeiros ilusionistas da fé, manipuladores de palavras, se beneficiando das paixões religiosas para passarem por cima de qualquer escândalo e saírem imunes e impunes.

Enquanto, no exterior, basta definir um oportunista religioso como um charlatão para ele cair em descrédito, no Brasil definir um deturpador do Espiritismo como tal gera prantos e pavor até em quem aparentemente faz críticas à deturpação da doutrina de Kardec, preso na tarefa inútil e sem efeito de reprovar a deturpação e poupar o deturpador, como se denunciasse um crime mas inocentando os culpados.

As paixões religiosas são movidas por todo um repertório de símbolos e aparatos que estão associados a estereótipos de simplicidade, humildade e emoções elevadas trazidos por movimentos religiosos. Orgias sem sexo, sem dinheiro e sem drogas, as paixões religiosas apostam na falácia de que "o amor permite tudo", e são capazes de submeter a ideia de "bondade" a práticas de mistificação e fraude, sobretudo sob o pretexto do "amor ao próximo".

Isso cria a situação vexaminosa de ser solidário na deturpação do Espiritismo. Ser solidário e fraterno aos deturpadores, usar o amor a serviço do engano, a bondade a serviço da mistificação, aceitar a fraude quando transmite mensagens positivas. Com isso, estamos premiando os graves erros cometidos pelos deturpadores, que bagunçaram com o trabalho de Kardec, mas são sempre glorificados por uma "caridade" que serve mais para alimentar o prestígio deles do que para trazer algum benefício para a população. Até porque as áreas consideradas "protegidas" por esses "espíritas" são na verdade sérios redutos de miséria e violência.

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