Neoconservadorismo do "Espiritismo" brasileiro pode afastar fiéis

(Autor: Kardec McGuiver)

Um famoso palestrante dito "espírita", que segue a linha chiquista/igrejeira, apresar de bajular Allan Kardec sem sequer seguir suas ideias, puxou o saco do estudioso Deolindo Amorim, verdadeiro espírita (sem aspas), que sempre lutou contra a deturpação e criticou a inclinação igrejeira que acabou dominando naquilo que ficou conhecido como "Espiritismo" no Brasil.

Se esquece o tal palestrante (que também é entusiasta da medonha Teologia do Sofrimento) o fato de que Deolindo Amorim é ninguém menos que o pai do famoso jornalista de esquerda Paulo Henrique Amorim, cuja orientação política é exatamente a oposta a orientação que o espiritismo apoiado pelo tal palestrante bajulador optou por seguir. 

Até porque a Teologia do Sofrimento é algo arcaico, retrógrado e violentamente contrário a uma doutrina que se pretendia ser progressista, apesar de na prática nunca ter sido. O apoio dado por um periódico "espírita" às passeatas fascistas de março de 2016 deixou bem claro o novo perfil do "Espiritismo" brasileiro, radicalmente oposto ao repertório ideológico do mesmo Allan Kardec que tanto insistem em bajular.

Esta opção tem feito os "espíritas" brasileiros atirarem nos próprios pés, preparando a deturpada doutrina para a sua inevitável extinção. Graças ao nosso esforço e de muitos poucos, há a tentativa de esclarecer os fiéis sobre erros, fantasias e contradições praticados no "espiritismo" brasileiro e aos poucos centros "espíritas", workshops e eventos afins vão perdendo seu público, cansado de ouvir que "sofrer é bom" e que "o amor deve superar o intelecto", frases que fogem da proposta original da doutrina codificada na França.

O neoconservadorismo assumido nos últimos anos pelo "Espiritismo" brasileiro mostra que do contrário que a retórica de oradores falastrões como Divaldo Franco e o palestrante citado no texto (vamos preservar o nome dele por motivos particulares), a deturpada doutrina segue o caminho da estagnação intelectual, do conformismo moral e da masoquista resignação.

Este fato cada vez mais está comprovando a existência de sérias contradições que mostram que a tal "fé raciocinada" alegada por suas lideranças, nada tem de racional e nunca passou de um engodo a agradar incautos e incultos. Mesmo os incultos que adoram colecionar diplomas, sem colecionar ideias racionais e sensatas.

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