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"Espíritas" ficam aplaudindo todo dia a causa dos crucificadores

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(Autor: Professor Caviar)

Ignorante é aquele que acredita encontrar sabedoria num punhado de palavras bonitas e recados de apelo místico, mistificador ou moralista, na ilusão de ter encontrado uma "filosofia de vida".

Esta frase de Francisco Cândido Xavier, atribuída ao espírito André Luiz, mas claramente do estilo do "médium" mineiro, é de uma hipocrisia gritante, se verificarmos que o "bondoso homem" era um dos maiores e mais radicais propagandistas da Teologia do Sofrimento, corrente que não era unânime entre os católicos, tem origem medieval mas encontrou reduto no "espiritismo" brasileiro, que abraçou esta corrente com muito gosto, embora nunca assumisse isso no discurso.

Vejam a seguinte frase: "Lembre-se de que, no dia do Calvário, a massa aplaudia a causa triunfante dos crucificadores, mas o Cristo solitário e vencido era a causa de Deus!". É pura Teologia do Sofrimento, e é bom que você, leitor, alerte à sociedade sobre o quanto os "espíritas" tomaram gosto por essa corrente medieval do Catolicismo, tão jesuíta se tornou o "movimento espírita", que se "adiantou" aos retrocessos do governo Michel Temer (ou, talvez, de um hipotético governo de Jair Bolsonaro) e a um Judiciário que parece viver nos tempos do Império Romano (Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes que o digam) e regrediu ao período do Brasil-colônia.

E a Teologia do Sofrimento, embora exaltasse o poder de Jesus de Nazaré e se autoproclame uma corrente "cristã", na verdade vê o sofrimento do ilustre mensageiro sob os olhos da aristocracia romana. É uma visão sado-masoquista essa que conhecemos nas palavras moralistas de Chico Xavier - no fundo, frases sem muita beleza, mas que pessoas tomadas pelo alucinógeno das paixões religiosas definem como "mensagens de amor" - , que revela esse caráter romano-medieval do "movimento espírita", que costuma acusar outros de terem sido "romanos" e "medievais".

Prestemos atenção na frase de Chico Xavier. O sofrimento de Jesus é visto como "coisa divina", e de certa forma há um consentimento com a farra dos crucificadores. É como se, na encarnação presente, enquanto pessoas sofrem desgraças, outras se divertem às custas disso. A Teologia do Sofrimento, que influi mais no "espiritismo" brasileiro do que os postulados de Allan Kardec, sempre deixa a bonança para depois. Na vida presente, ou pelo menos em quase toda a juventude, só se deve "encarar a tormenta", e quando surgir a oportunidade de ter algum benefício, as energias físicas se esgotam, isso quando a pessoa já não está morta.

É um exercício de lógica e de linguagem. "O sofredor é o vencedor do futuro, diante dos opressores que se acham os vencedores do presente". Tal ideia é vendida pelo discurso religioso como se fosse uma visão misericordiosa, caridosa, consoladora, confortadora. Mas não é. É uma visão cruel, sádica, impiedosa. É como se dissesse, "quanto mais sofrer, mais bênçãos serão garantidas". Ou: "Os pregos que ferem as mãos do Cristo crucificado são o batismo de uma bênção eterna".

No colóquio popular, essa apologia ao sofrimento tem um equivalente: "quanto pior, melhor". O moralismo religioso apenas comete atrocidades com palavras lindas, o que faz a gente pensar se os tiranos nazi-fascistas, se tivessem sido artífices das belas palavras, não teriam sido indicados ao Nobel da Paz. Depois que uma Madre Teresa de Calcutá, denunciada por deixar seus assistidos em condições sub-humanas, virou santa, tudo é possível. No Brasil, Jair Bolsonaro é considerado "cristão", só para se ter uma ideia.

Há também um ditado popular que diz: "pimenta nos olhos dos outros é refresco". Para o palestrante "espírita" ou para o pregador religioso em geral, o sofrimento é bom para os outros. A gente vê isso nos próprios pregadores "espíritas", que choramingam cabisbaixos, como crianças birrentas contrariadas, quando recebem duras críticas e acusações verídicas que, no entanto, lhes desagradam.

Os "espíritas" professam a Teologia do Sofrimento, popularizada por Chico Xavier e inserida no "espiritismo" através do deturpador pioneiro Jean-Baptiste Roustaing. Se disser isso para um palestrante "espírita", exímio malabarista das belas palavras, acusando-o de roustanguista e pregador da Teologia do Sofrimento, ele se entristece e acha isso "injusto", sem perceber o quanto o desfile de lindas palavras não necessariamente faz de alguém um progressista ou um humanista, mas antes um embelezador de discurso, não raro com ideias retrógradas e até maléficas.

Se um "espírita" se olhar no espelho, ele terá uma grande vergonha em ver seu reflexo, pois enquanto ele se acha na plena luminosidade pelo aparato de palavras, imagens e ações, o quanto será chocante descobrir que isso é só um aparato para cobrir o que há de mais retrógrado, mistificador, ocultista e conservador nesta doutrina marcada pelo igrejismo. E que as milhares e milhares evocações de Allan Kardec, não raro bajulatórias, se tornam em vão, quando a essência dos ensinamentos kardecianos é traída todo o tempo pelos tão "devotados espíritas".

E, na medida em que os "espíritas" fazem tanta apologia ao sofrimento alheio, convidando os outros a "carregarem a cruz", não se está promovendo a solidariedade cristã, mas, antes de tudo, se está rogando a desgraça de outrem. Enquanto nós somos obrigados a "carregar a cruz" de todos os dias, os "espíritas" ficam aplaudindo diariamente a causa dos crucificadores.

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