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Influência de espíritos autoritários desqualifica Chico Xavier e Divaldo Franco

(Autor: Equipe Dossiê Espírita)

As paixões religiosas ainda estarão nas agendas de debates, por se tornarem um processo perigoso, no qual se explora emoções e sensações que simulam estados de paz e tranquilidade, mas trazem energias maléficas, viciando a alma na busca desses "êxtases da fé", destas orgias sem sexo, sem drogas nem dinheiro, mas igualmente perniciosas e traiçoeiras.

Nota-se o perigo dessas armadilhas que as paixões perigosas permitem a reputação elevada dos deturpadores da Doutrina Espírita, de forma a que a maioria daqueles que questionam a deturpação tenham um empenho estéril, parando no meio do caminho.

É quando as paixões religiosas lhes inserem a fascinação obsessiva, perigoso tipo de obsessão já alertado por Allan Kardec, e que representa, no Brasil, com perfeita exatidão, o sentimento de apego de muitos brasileiros às figuras de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, verdadeiros artífices da manipulação das mentes humanas.

O crítico da deturpação se amolece quando um sedutor processo de dominação, com melodias piegas, apresentando imagens de crianças pobres e velhos doentes sorrindo, paisagens floridas, peixinhos no fundo do mar, céu azul com o sol brilhando e coraçõezinhos ilustrados aparecem para anunciar a "superioridade" dos deturpadores, associados tendenciosamente a ideias de "amor, bondade e caridade".

Há muitos alertas, em obras de Allan Kardec - recomenda-se as traduções de José Herculano Pires, fiéis ao texto original - , que desmontam os festejados "médiuns", que já pecam pelo culto à personalidade e dissimulam seu trabalho deturpador sob o pretexto das "mensagens de amor".

Um deles corresponde à influência de espíritos autoritários, já descrita em O Livro dos Médiuns no capítulo 24, em conselho dado pelo espírito São Luís a respeito da identificação dos espíritos, como se observa explicitamente no item 10 dos princípios enumerados:

"10º) Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus são autoritários, dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam facilmente. Todo Espírito que se impõe trai a sua condição".

São exclusivistas e absolutos nas suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a máscara.

De forma explícita, nota-se que os "mentores" dos "médiuns" Chico Xavier e Divaldo Franco, Emmanuel e Joana de Angelis (lembrando que esta não teria sido Joana Angélica, mas o próprio Máscara de Ferro), personificam espíritos autoritários, que sempre forçavam seus subordinados a lhes obedecerem.

Em vários episódios das vidas dos dois "médiuns", Emmanuel e de Angelis ordenavam seus subordinados a continuar trabalhando. Nem a doença ou o cansaço noturno eram motivos para deixar os trabalhos, cumpridos de maneira opressiva e sobrecarregada, sob a desculpa de manter em ritmo intenso o "trabalho missionário", eufemismo para o proselitismo religioso em prol da deturpação do Espiritismo.

A obra de Allan Kardec prova, portanto, que espíritos de atuação autoritária e extremamente austera são, na verdade, espíritos inferiores, grotescos, contrariando a fama que se tem, no Brasil, de pretensa superioridade moral atribuída aos "mentores" dos dois "médiuns".

POR QUE ESPÍRITOS AUTORITÁRIOS SÃO VISTOS COMO "SUPERIORES" NO BRASIL?

O Brasil, conforme constata a professora de Filosofia da Universidade de São Paulo, Marilena Chauí, no livro Brasil: Mito Fundador e Sociedade Autoritária, revela a tradição autoritária que existe na sociedade brasileira, que permite que se aceite até a tirania sob pretextos diversos: "combate à corrupção", "disciplina", "devoção religiosa", "prosperidade econômica" e "reorganização da nação".

Diz a autora, na página 89: (...) as relações sociais e intersubjetivas são sempre realizadas como relação entre um superior, que manda, e um inferior, que obedece. As diferenças e assimetrias são sempre transformadas em desigualdades que reforçam a relação mando-obediência. (...)As relações entre os que se Julgam iguais são de "parentesco", isto é, de cumplicidade ou de compadrio; e entre os que são vistos como desiguais o relacionamento assume a forma ao favor, da clientela, da tutela ou da cooptação. (...).

O Brasil foi tomado, em sua História, de vários golpes sociais e políticos, e pela supremacia do status quo, do prestígio social, a que se permite delitos e violências para beneficiar ou proteger seus interesses. A Justiça premia com a impunidade quem é dotado de privilégios sociais e pratica crimes de roubo, fraude, falsidade ideológica, homicídio e outros, por eles serem motivados por "causas nobres" ou buscam vantagens socialmente aceitas.

A retomada conservadora que derrubou a presidenta da República, Dilma Rousseff, também foi motivado pela "revolta do bolor": elites dotadas de privilégios tão longamente preservados reagiam às transformações sociais que as faziam decair na sociedade, e organizaram uma frente social, midiática, parlamentar e jurídica para derrubar a chefe do Executivo e instaurar um governo que revertesse as conquistas populares em prol do zelo de antigos privilégios.

Não por acaso, uma das figuras mais cultuadas por essa sociedade é o político Jair Bolsonaro, símbolo da extrema-direita brasileira. De um perfil truculento e marcado por posturas autoritárias, preconceitos sociais e atitudes agressivas, Bolsonaro é uma ameaça ao país, na medida em que articula uma grande legião de seguidores confiantes de que ele um dia ocupará o Palácio do Planalto, mesmo que sem a consulta das urnas.

Se figuras assim são idolatradas e consideradas "símbolos de moralidade e eficiência humana", então faz sentido ignorar Allan Kardec e aceitar que um deturpador da Doutrina Espírita defina Emmanuel, por exemplo, como "espírito de máxima elevação" e "expressão da coerência e humildade humanas". É por isso que muitos brasileiros foram apoiar o golpe político que se deu, há um ano. A sociedade brasileira peca pelo seu autoritarismo e seu moralismo ferrenho.

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