Ataques cibernéticos, trotes telefônicos e ilusão da "Data-Limite"

(Autor: Professor Caviar)

Infelizmente, nossa humanidade ainda está atrasada e tomada ainda de muitos paradigmas antigos que persistem sob um aparato de tecnologia de ponta ou de outras roupagens modernas.

O ataque cibernético que atingiu dezenas de países no planeta, incluindo o Brasil, que bloqueou várias páginas e promoveu um estelionato digital, cobrando pagamento em "bitcons" (espécie de "moeda virtual") para a liberação de páginas, revela o quanto as forças do atraso avançaram demais nos últimos tempos.

Há também os trotes telefônicos, alguns deles com códigos estranhos, sem DDD definido, que ameaçam o sossego das pessoas com o persistente assédio de estelionatários diversos, alguns deles criminosos presidiários, para arrancar dinheiro de quem mal consegue acumular uns centavos para suas poupanças.

Que inteligências notáveis porém perversas andam prevalecendo num contexto em que se perdem personalidades de grande valor com muita facilidade - no Brasil, elas morrem ainda prematuramente, diante de uma sociedade que tem mais medo de ver morrerem assassinos ricos e impunes, mesmo de "causas naturais" - , isso é verdade.

Mas a impotência de movimentos religiosos, que se gabam de praticar um ativismo frágil e limitado, mais preocupados em promover seus ídolos do que resolver desigualdades sociais graves, se revelam decisivas quando o terrorismo e a tirania ainda se fortalecem e a fome e a miséria ainda atingem grandes contingentes de pessoas.

O conservadorismo das ditaduras e dos governos golpistas de fachada "democrática", como no Brasil, também são expressão dessas inteligências maliciosas que, em casos extremos, realizam ataques cibernéticos como o da semana passada ou fazem trotes telefônicos com o intuito de arrancar grandes somas de dinheiro de vítimas que mal conseguem juntar seus trocados numa suada poupança.

Há muito a humanidade vive uma situação desoladora e perigosa, em muitos aspectos. No plano mundial, o Estado Islâmico e, no brasileiro, o Primeiro Comando da Capital, revelam o quanto organizações que promovem atos de violência extrema continuam fortes e atraem adeptos, numa época em que, de repente, o egoísmo e os retrocessos são apoiados por pessoas tomadas de profunda catarse emotiva para defenderem o atraso, as injustiças e o prejuízo alheio.

Nas redes sociais, desde que comunidades como "Eu Odeio Acordar Cedo", no Orkut, escondiam um núcleo de jovens reacionários, o cenário sombrio que atinge o Brasil, com um demagogo Michel Temer anunciando um otimismo fictício, se revelou uma "frente ampla do mal", criando um clima de muita tensão na sociedade, a não ser naqueles que se desinformam dessa ameaça, que, infelizmente, são muitos.

Os ataques cibernéticos podem se repetir esta semana - até a edição deste texto, a ameaça não se concretizou - e muitos computadores não têm sequer condição financeira para atualizar seus modos de segurança, porque a Microsoft cometeu a infeliz ideia de não permitir que computadores que compartilhem um mesmo disco de sistema operacional - nem todo mundo tem dinheiro para gastar um enorme valor financeiro para um disco do Office, Windows etc - se atualizem, havendo reversão de atualização quando seus sistemas originais não foram gravados de discos individualizados.

Há muitos dramas sociais e, no Brasil, a situação é grave. Num cenário em que o mercado de trabalho sofre o risco de completa degradação e as oportunidades de emprego só são "melhores" quando arrivistas corruptos precisam se promover com profissionais diferenciados, as pessoas não têm dinheiro sequer para consertar um gravador de DVD para fazer backup de arquivos.

Diante de tantos graves problemas, que certamente não atingem os "espíritas" a realizar suas turnês tranquilas expondo belas palavras para riquinhos e poderosos, a ilusão da "Data-Limite" de Chico Xavier se revela equivocada, verificando que, a dois anos do "prazo final", a utopia da "fraternidade" está longe de se realizar.

A "profecia da Data-Limite" se revelou ilusória, por diversos aspectos. O projeto de uma nação que se torne ao mesmo tempo um "centro do mundo" e uma nação de "missão religiosa" foi uma falácia que já nos deu o sangrento Catolicismo medieval eurasiocêntrico. A ideia do Brasil como "coração do mundo" e "pátria do Evangelho" esconde o perigo de mais uma tirania teocrática, porque o enunciado das "boas palavras" não prescinde a "criminalização" do "outro lado", podendo haver uma nova heresia a ser alvo de sangrentas batalhas ou condenações assassinas.

Mas, tirando isso, a utopia de um "mundo fraterno" que o enunciado da "Data-Limite" pressupõe também não ocorrerá. O que haverá é uma necessidade de repensar a ganância humana, a tirania política, econômica, armamentista, moralistas e tecnológica, que atingiu pontos extremos e que deveria ser alvo de uma ação de repúdio constante, com medidas preventivas ou mesmo punitivas que ponham fim aos abusos de um "topo da pirâmide" que perece mas não aceita sua destruição. Repensar o mundo sem paixões religiosas é uma receita difícil, mas sem dúvida alguma mais eficaz do que o apego a tais paixões.

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