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Apreço à obra kardeciana por Chico Xavier e Divaldo Franco revela hipocrisia de ambos

(Autor: Professor Caviar)

Poucos conseguem prestar atenção a muitas armadilhas e equívocos do "espiritismo" brasileiro, em que todo um emaranhado de contradições se mistura em uma rede cheia de nós, que muitos imaginam ser apenas cordões de coerência e bom senso apenas interligados de forma sofisticada.

Não, eles não são cordões de coerência, porque, se prestar atenção e ver as coisas sem a fascinação das paixões religiosas, os "espíritas" são os que mais cometem contradições e equívocos entre os movimentos religiosos. E são coisas extremamente graves, que a retórica do "trabalho do bem" - na verdade, eufemismo para a prática duvidosa do Assistencialismo - não pode atenuar.

Os dois "médiuns", Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, já duas grandes aberrações pela ruptura que eles trouxeram à antiga figura intermediária que era a do médium espírita autêntico, tornando-se ídolos marcados pelo culto à personalidade, já representam, no conjunto da obra, uma série de afrontas gravíssimas ao Espiritismo.

Eles não deturparam o Espiritismo por acidente. Não o fizeram por boa-fé, sem querer ou por alguma decisão momentânea equivocada. Pelo contrário, Chico Xavier e Divaldo Franco sempre souberam o que fizeram, e o trabalho de deturpação da Doutrina Espírita se deu de propósito, de maneira convicta e consciente, e com interesses bastante tendenciosos e mesquinhos de ascensão social.

Os dois começaram como entusiasmados adeptos do deturpador pioneiro Jean-Baptiste Roustaing. Chico Xavier adaptou a obra de Roustaing em centenas de livros, traduzindo o roustanguismo para o contexto brasileiro. Divaldo Franco levou adiante a mesma tarefa, não só em livros, mas também em palestras, entrevistas e até participações em programas de televisão.

Comprovadamente, eles têm que ser responsabilizados pela deturpação do Espiritismo, e não ver esse processo como uma "incompreensão doutrinária". Não se trata de uma "falta de aprendizado", "desatenção" ou "ingenuidade", ou "entusiasmo demais pela origem católica". Os dois podem ser considerados, sem hesitação, como traidores do legado espírita, pelas provas que se tem de que os trabalhos deles de deturpação do Espiritismo não foram acidentais.

Quem é que faria algo "sem querer" ou por boa-fé durante décadas, divulgando centenas de trabalhos, como livros e palestras, para numerosas multidões? Muito raramente pode-se ver algum "acidente" ou "despropósito" em tais tarefas, e comprovadamente essa exceção não se observa nas obras de Chico Xavier e Divaldo Franco, que com muito gosto depreciaram o trabalho de Kardec.

Quando os dois tentam evocar o pensador francês fingindo serem seus "discípulos fiéis" - e tal postura se deu sobretudo a partir dos anos 1970, com a "fase dúbia" do "movimento espírita" - , alegando "fidelidade absoluta" e "respeito rigoroso" aos postulados kardecianos, Chico e Divaldo simplesmente não estão cometendo outra coisa senão dizer uma MENTIRA.

E isso é tão certo que o conteúdo das obras dos dois constantemente se choca com os postulados de Kardec. Sabe-se que Chico teve menos sutileza que Divaldo, mas ambos deturpadores de muito propósito. São centenas de livros de Chico e outras porções de livros e palestras de Divaldo, transmitidas para o grande público, que se mantiveram em padrões igrejistas, com seus devaneios anti-kardecianos mesmo quando passaram a se autoproclamarem "fiéis ao pedagogo francês".

Isso é uma grande hipocrisia, o que faz com que os dois "médiuns" sejam os "papas" da desonestidade doutrinária no Espiritismo. Antes Chico e Divaldo tivessem se assumido roustanguistas, o que poderia ser menos agradável em termos de projeção social, mas seria bem menos desonesto do que se dizer "rigorosamente fiel" ao legado kardeciano e trai-lo constantemente com obras de profundo igrejismo moralista e obscurantista.

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