O medo de cairmos em mais um "mea culpa"

(Autor: Professor Caviar)

Diante da grave crise em que vive o "movimento espírita" brasileiro, um grande temor volta a preocupar os questionadores mais severos: o de haver mais um recuo às críticas severas feitas contra os deturpadores que usurpam a Doutrina Espírita ao seu bel prazer.

Durante 131 anos, a deturpação do Espiritismo através de uma abordagem igrejista encontrou, na figura de Chico Xavier, um propagandista muito habilidoso, e os escândalos que vieram a combatê-lo, todavia, murcharam diante de circunstâncias muito estranhas.

O pretexto era sempre esse: recuar diante da "maldade" em combater uma figura supostamente associada ao trabalho do bem e personificada num caipira delicado e sensível, mais tarde um velho doente e fragilizado.

Nos esquecemos do que a ficção científica, embora de maneira fantasiosa, nos ensinava em metáforas, com verdadeiros vilões se travestindo de pessoas frágeis e bondosas para nos enganar, como que num contra-ataque às avessas, através da simulação conhecida como "coitadismo", que é a pessoa se passar por vítima para desarmar os que agem contra ela.

Esquecemos de obras de suspense e tantas outras obras que, embora ficcionais, nos traziam mensagens nesse sentido, de não nos enganarmos com as aparências, e mantermos vigilantes diante de uma realidade nada simplória em que os piores espertalhões são justamente aqueles que usam a roupagem da pretensa simplicidade e da falsa benevolência para nos enganar e deixar desnorteados e entorpecidos com esse aparato de bondade.

Chico Xavier, realizador de pastiches literários, dos mais aberrantes e grosseiros, passou pela prova jurídica de 1944, no processo relacionado ao escritor Humberto de Campos, cujo nome foi usado em "psicografias" que nem de longe refletem o estilo pessoal do falecido escritor maranhense, porque os juízes simplesmente não entenderam a natureza do processo.

Xavier ainda passou por outros obstáculos: a promessa de denúncias do sobrinho Amauri Xavier (morto provavelmente por "queima de arquivo"), as fraudes de Otília Diogo e a crise do roustanguismo no "movimento espírita". E ainda foi premiado pela Rede Globo de Televisão com a imagem de "mito filantrópico" reciclada nos moldes que o inglês Malcolm Muggeridge fez com Madre Teresa de Calcutá!

Tudo isso foi permitido porque, num dado momento, a aparência de "bondoso" e "frágil" de Chico Xavier seduziu muita gente, fez muitos críticos recuarem e todas as irregularidades do "movimento espírita" ficarem na impunidade.

O maior medo é que, mesmo com essas irregularidades crescendo como um câncer, o que faz o "movimento espírita" ter desenvolvido uma postura "dúbia", bajulando Allan Kardec e fingindo seguir rigorosamente seu pensamento, mas praticando deturpação igrejeira, as críticas severas de hoje murcharem num suposto arrependimento por "visões tão duras" contra Chico e Divaldo Franco!

Seria horrível esse recuo movido pelo sentimento de complacência, de "mea culpa" pelas críticas austeras. Essa forma mórbida, hipócrita e subserviente de "perdão" e "misericórdia", em que a "bondade" de fachada é sempre aceita, fossem as fraudes e armadilhas nela escondidas.

E isso é a esperança do "movimento espírita", de ver os críticos severos serem derrubados mais uma vez pela sedução fácil da complacência, por esse arremedo de perdão que mais parece uma aceitação dos erros, gratuita e permissiva.

Não se pode pensar assim. Seria esquecer dos apelos de Erasto, de que devemos ser duros com os deturpadores, sem dar qualquer chance à complacência, porque a desonestidade doutrinária é um defeito a ser reprovado e combatido, fosse a roupagem de "bondade" e "caridade" que tiverem, porque a desonestidade é uma qualidade negativa demais para ser apoiada pelo verniz da "bondade".

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