Intelectuais nunca legitimaram psicografia de Chico Xavier

(Autor: Professor Caviar)

Durante as polêmicas causadas pelo livro Parnaso de Além-Túmulo e das obras atribuídas a Humberto de Campos, vários intelectuais brasileiros da década de 1940 se pronunciaram a respeito dessa atitude de Chico Xavier.

Sabemos que nomes como Osório Borba, João Dornas Filho, Attila Paes Barreto e Malba Tahan se pronunciaram contra o "médium", afirmando que tais "psicografias" nunca passaram de grotescos pastiches literários, inferiores às obras que os alegados autores deixaram em vida.

Por outro lado, houve autores que se mostraram neutros, se abstiveram em dizer se as "psicografias" eram autênticas ou não. Embora algumas posições pareçam sinalizar para uma avaliação favorável, a verdade é que nenhum dos quatro autores abaixo confirmou a "psicografia" de Chico Xavier, apenas se mantendo omissos em dar qualquer parecer.

Há que se considerar que os autores que se abstiveram se baseavam na hipótese de que Chico Xavier, se fazia pastiches, era apenas sozinho, quando fatos mostram que ele realizou pastiches e plágios literários com a colaboração do presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas, da equipe editorial desta instituição e sob a ajuda de consultores literários.

Deve-se também levar em conta o oportunismo da FEB, que tentou interpretar o "nem sim nem não" como se fosse "sim". Uma coisa é não negar nem afirmar, outra é afirmar, pois o fato de não negar alguma coisa não significa que se possa afirmá-la.

Pelo menos quatro notáveis autores se manifestaram de maneira neutra: Agripino Grieco, Raimundo Magalhães Júnior (ou R. Magalhães Júnior, como assinava), Monteiro Lobato (conhecido pelo Sítio do Picapau Amarelo) e Apparicio Torelly, o Barão de Itararé, jornalista, humorista e intelectual de esquerda.

Nenhum deles confirmou a "mediunidade", e acredita-se que eles tiveram leituras ligeiras das obras "espirituais". A verdade é que todos eles se revelaram pouco conhecedores da situação. Tem-se conhecimento, no entanto, de que Agripino Grieco passou a duvidar das "psicografias", depois que entrou em contato com Chico Xavier e verificou as tais obras.

Reproduzimos aqui as frases famosas de Grieco, Magalhães Júnior e Lobato, e um texto de Torelly, para conferir. De maneira indiscutível, os leitores perceberão que em nenhum deles há a "confirmação" que o "movimento espírita" tanto falava, com muito alarde, da "psicografia" de Chico Xavier. Todos os envolvidos apenas se abstiveram, admitindo não estarem a par da situação.

É bem provável, no entanto, que se eles estivessem por dentro do conteúdo dos livros "psicográficos" e fossem informados, de certa forma, que Chico Xavier não fazia pastiches literários sozinho, mas com colaboradores diversos, a postura deles tenderia a ser desfavorável ao "médium".

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"Se é mistificação, parece-me muito bem conduzida. Tendo lido as paródias de Albert Sorel, Paul Reboux e Charles Muller, julgo ser difícil (isso digo com a maior lealdade) levar tão longe a técnica do pastiche. Não sei como elucidar o caso. Fenômeno nervoso? Intervenção extra-humana? Faltam-me estudos especializados para concluir." - AGRIPINO GRIECO, crítico literário.

"Se Chico Xavier é um embusteiro, é um embusteiro de talento. Sua facilidade de imitar seria um dom especialíssimo, porque ele não imita apenas Antero de Quental, Olavo Bilac e Humberto de Campos, mas Alphonsus de Guimaraes, Artur Azevedo, Antônio Nobre, etc." - RAIMUNDO DE MAGALHÃES JÚNIOR, escritor e acadêmico.

"Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, então ele merece ocupar quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras." - MONTEIRO LOBATO, escritor.

"Dentro em breve a Justiça terá que se manifestar a respeito da autenticidade ou falsidade das obras atribuídas ao Espírito de Humberto de Campos. O pronunciamento dos nossos tribunais sobre o assunto está sendo provocado pela família do saudoso escritor, que, com isso, deseja fazer cessar essas publicações ou participar de possíveis proventos materiais decorrentes da venda dos livros que circulam como sendo da autoria do estilista de "Roseiras e Carvalhos" (sic).

A questão, como se vê, gira em torno da identificação de um Espírito. Mas este é justamente o grande problema, que tem sido objeto de acurados estudos, não apenas de indivíduos isolados, mas também de associações científicas da mais alta reputação em todo o mundo.

A Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, por exemplo, já tem realizado famosas experiências, sob a direção de notáveis sábios, que se valeram do controle dos mais aperfeiçoados instrumentos de Física. Esses homens, com a colaboração de um médium, conseguiram não somente a materialização de um Espírito, mas, ainda, a descrição de todo o mecanismo dessa materialização. Muitas documentações foram colhidas desses trabalhos.

Verificaram que, durante o fenômeno de materialização, o médium perdia uma parte do seu peso, porque cedia uma boa porção de seus fluidos, que eram utilizados pelo Espírito para se tornar fisicamente visível, podendo, portanto, ser também fotografado.

Para a grande maioria da Humanidade, que é como São Tomé, essas demonstrações seriam mais do que suficientes para uma crença inabalável. Mas os homens de ciência são piores do que São Tomé. Este queria ver, para crer, mas os cientistas nem vendo acreditam.

A materialização não basta para uma prova de identidade. A fotografia não é suficiente para se afirmar que se trata deste ou daquele Espírito. Nem as declarações categóricas do Espírito podem constituir por si a expressão da verdade.

Nós vimos no cinema a vida de Pasteur. Acompanhamos, cheios de emoção, os episódios culminantes das suas grandes lutas pelo bem da Humanidade. Naquele filme estava o espírito que animou a existência do apóstolo do bem. Mas aquela figura que nós víamos não era, afinal, a de Pasteur, mas a de Paul Muni.

Mas Paul Muni teve a intenção de nos mistificar?

Ou Paul Muni realizou uma obra sincera, encarnando, como um médium cinematográfico, o Espírito de Pasteur?

Diante destas perguntas, é-nos lícito indagar se a Justiça poderá se manifestar de maneira definitiva sobre a identidade do Espírito de Humberto de Campos.

Se tal fizer, provocará a maior revolução espiritual de todos os tempos, porque é atrás da solução dessa questão que de há muito se batem as vanguardas que murcham à frente da evolução.

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