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A boa e a má árvore

(Autor: Professor Caviar)

O "espiritismo" brasileiro adora falar da ideia da árvore boa ou má, baseada numa passagem do Novo Testamento, em que o evangelista Lucas havia escrito, no capítulo VI, versículos de 43 a 45: "Porque não é boa a árvore a que dá maus frutos, nem má árvore a que dá bons frutos. Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu fruto. Porque nem os homens colhem figos dos espinheiros, nem dos abrolhos vindimam uvas".

Vamos observar com cautela essa frase. Quais os frutos da árvore "espírita"? Amor? Corações? Não. Se assim fossse, teríamos que rebatizar o "espiritismo" como "bom-mocismo", porque o que a gente observa são só alegações de "amor" e de "bondade".

Infelizmente, o "espiritismo" brasileiro se tornou uma má árvore, porque seus frutos não são bons. Como aceitar um mau espiritismo, uma Doutrina Espírita deturpada e muito mal estudada, cheia de contradições, escândalos, equívocos, só porque é a "doutrina da bondade"? Falam, cinicamente, em "Ciência do Amor", como se quisessem enganar a gente!

É como se disséssemos que uma árvore que só gera frutos venenosos é boa porque seus frutos têm um sabor doce. Uma boa árvore é aquela cujos frutos são coraçõezinhos? Que coisa mais piegas! E é a pieguice o recurso que os "espíritas" fazem para tentar convencer as pessoas.

Vide, por exemplo, o estereótipo de "amor e bondade" de Francisco Cândido Xavier, o homem cujos seguidores quer que passe por cima de tudo, da sua própria morte à qualquer investigação lógica, como um misto de super-herói e personagem de contos de fadas.

Chico Xavier é envolto numa pregação piegas, que soa cafona, enjoada, diabética de tanto açúcar em excesso. Ilustrações de coraçõezinhos ao lado de uma foto dele, jardins floridos, céu azul, a palavra "Amor" inserida entre o nome e o sobrenome, toda essa pieguice tenta nos convencer que a "bondade" é o fruto do "espiritismo". Mas não é.

Isso é um absurdo. É querer restringir a qualidade de ser bom a uma única seita. Que seus seguidores nem querem assumir como seita, mas agem neste sentido. Usar a "bondade" como a diferença do "espiritismo" em relação a outras religiões é uma futilidade, uma leviandade, e nem em aspectos linguísticos a "bondade" pode ser fruto da árvore "espiritismo".

O "espiritismo" é conhecido pelo seu moralismo antiquado, pelo igrejismo convicto, pela má compreensão do pensamento de Allan Kardec, pelo faz-de-conta da falsa mediunidade, e, por isso, torna-se uma má árvore, porque se observa claramente que os frutos são maus.

Não é a sopinha dos pobres, o agasalho dos descamisados ou demais paliativos que irão transformar o "espiritismo" numa boa árvore. Se o "espiritismo" descumpre a responsabilidade de entender o pensamento de Kardec - é inútil fingir que entende - , isso em si já o faz uma má árvore, pois seu propósito é descumprido, sua finalidade não é realizada.

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