Chico Xavier não se encaixou no "homem de bem" de Allan Kardec

(Autor: Professor Caviar)

Do contrário que muitos seguidores de Francisco Cândido Xavier tanto insistem em acreditar e alardear, ele nem de longe correspondeu ao modelo de perfeição espiritual ou mesmo de bondade plena que são tidos como suas "qualidades maiores".

Embora a propaganda "espírita" insista em defini-lo como o mais perfeito exemplo de "homem de bem", nós sabemos que isso é enganoso, e essa propaganda é claramente inspirada na aliança entre a FEB e a Rede Globo para, com base num documentário inglês sobre Madre Teresa de Calcutá, trabalhar o ídolo religioso Chico Xavier como um "ícone da caridade".

Há quem acredite, muitos por ingenuidade, que Chico Xavier sempre agiu e expressou conforme os ensinamentos de Allan Kardec. Isso é uma grande mentira. Chico foi um mistificador dos mais irresponsáveis, e fez os brasileiros entenderem ERRADO a Doutrina Espírita, com uma série de preconceitos católicos que o anti-médium mineiro despejou na doutrina kardeciana, como quem despeja lixo no meio da rua.

Certo palestrante "espírita" havia descrito que Chico Xavier personificava o "Homem de Bem" que Allan Kardec descreveu no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, no Capítulo XVII, Sede Perfeitos, no item 03, intitulado "Homem de Bem". Diz seu primeiro parágrafo:

"O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza. Se interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros aquilo que queria que os outros fizessem por ele".

Muito se tem que se queixar de Chico Xavier. O próprio fato dele ter emporcalhado (sim, essa é a palavra) a Doutrina Espírita com seu mal-disfarçado catolicismo, prejudicando gravemente a real compreensão do pensamento kardeciano, já anula o sentido de perfeição e bondade que tanto se associa ao anti-médium de Pedro Leopoldo e Uberaba.

Isso em si já anula os diversos aspectos contidos nesta frase: não faz justiça ao pensamento kardeciano - é só comparar a bibliografia chiquista e as obras kardecianas para encontrar contradições aberrantes - , viola qualquer lei, ou melhor, qualquer princípio de lógica e bom senso, qualquer noção de coerência da realidade.

E se Chico Xavier "nada exigia" em recompensa, isso é enganoso, porque ele foi o mais recompensado pelo deslumbramento religioso, pelas vaidades e fantasias, em torno dele e de seus seguidores e adeptos, uma presunção que aparentemente não tem formas materiais, mas consiste num orgulho comparável ao dos afortunados da matéria, já que muitas vezes a roupagem religiosa é a mais traiçoeira a esconder sob rios de flores as piores fogueiras das vaidades.

Se Chico Xavier deixou de ser útil em alguma coisa, é de ser, em vez de um intruso na Doutrina Espírita, um renovador da Igreja Católica, preferindo o oportunismo fácil de se infiltrar em causa nova sem se identificar naturalmente a ela, em vez de se manter numa causa que já conhece e renová-la corretamente.

Se Chico Xavier deixou de fazer o bem, foi através de julgamentos de valor contra sofredores - imagine, atribuir a todas as vítimas de uma tragédia num circo de terem sido algozes romanos - ou de usurpar indevidamente do nome de autores como Humberto de Campos, ofendendo seu legado apresentando obras que nada tem a ver com o estilo original do falecido autor.

Chico Xavier ainda defendeu a ditadura militar quando até mesmo o mais histérico defensor do golpe de 1964, o ex-governador da Guanabara e jornalista Carlos Lacerda, estava na oposição. Quando a ditadura militar se tornava mais cruel, Chico Xavier ainda pedia a todos, em rede nacional, para que orássemos pelos generais e pelos torturadores que só estavam "combatendo o comunismo".

Portanto, Chico Xavier nunca pode ser considerado o "homem de bem" citado por Allan Kardec. O próprio Kardec reprovaria sem hesitar o trabalho do anti-médium mineiro, que mais atrapalhou do que ajudou. 

Uma prova de que a bondade de Chico Xavier é conversa para boi dormir, até a "iluminada" cidade de Uberaba, tida como "das mais elevadas energias", está em decadente nível de qualidade de vida e apresenta índices preocupantes de violência. Se a cidade "protegida" pelo "homem chamado amor" vive o drama de muitos assassinatos e outros crimes, significa que seu "bom exemplo" foi em vão.

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