Jesus havia advertido sobre falsos sábios

(Autor: Senhor dos Anéis)

Foto: FARISEUS - Exemplos de pseudo-sábios que viveram na época de Jesus.

"Haverá falsos cristos e falsos profetas", dizia Jesus àqueles que lhe ouviam, em diversas ocasiões cujos registros em parte se perderam, e outros ficaram para a posteridade nos relatos trazidos pelo Novo Testamento.

Jesus, que reprovava os tipos pedantes de fariseus e saduceus, devotos religiosos dotados de falsa sabedoria e pretensa superioridade espiritual e moral, que se arrogavam em ficar na frente de seus templos para orarem agradecendo à sua própria vaidade, havia feito alertas preciosos que foram ignorados ou mal compreendidos.

Com suas lições deturpadas pela tirania católica da Idade Média, Jesus previu a hipocrisia de pretensos sacerdotes e falsos profetas, que manipulavam corações e mentes exibindo uma suposta sabedoria e uma capacidade de dominar usando argumentos verossímeis e falsos alertas.

Jesus adotou atitude comum à do filósofo Sócrates, que denunciava a prática dos chamados sofistas, retóricos que se passavam por professores e intelectuais na Grécia Antiga para enganar seus ouvintes através de um discurso confuso que se pretendia demonstrar a verdade.

Como possível solução, que a prática não revelou infalível mas Sócrates considerava viável, era a chamada maiêutica socrática, que consistia em criar premissas para verificar se tal hipótese estaria próxima da verdade. Ela consistia em três etapas.

1) Criar uma ideia genérica - Tal fenômeno se expressa por determinada razão.

2) Depois, criar uma ideia complementar - o que se expressa por alguma razão é verdadeiro.

3) Em seguida, tem-se a conclusão - Logo, o fenômeno tal é verdadeiro.

Controvérsias à parte, o que se nota é que tanto Sócrates quanto Jesus, e sobretudo este, alertavam sobre a hipocrisia dos pseudo-sábios, habilidosos manipuladores das palavras, malabaristas dos argumentos verossímeis, enganadores espertos que seduzem os incautos com facilidade.

Com as sucessivas deturpações em torno de Jesus, que com toda sua missão pacifista foi promovido (ou rebaixado?) pelo Catolicismo medieval a um "senhor dos exércitos", general simbólico das cruzadas, verdadeiras milícias que promoviam guerras sanguinárias e tirânicas, suas lições originais foram desvirtuadas de maneira mais perniciosa possível.

O Catolicismo medieval distorceu a missão de Jesus, e, em seguida, com suas formas herdeiras, como o Catolicismo medieval português, que sobreviveu ao fim da Idade Média e mostrava vestígios até na época da viagem da família real para o Brasil, forneceu as bases doutrinárias para o empastelado "espiritismo" feito no Brasil.

Com a distorção do sentido de médium no Brasil, eliminando sua função intermediária do contato entre vivos e mortos e transformando-o num dublê de filósofo e consultor sentimental, vieram novos pseudo-sábios a ludibriar seus seguidores com uma habilidade assustadora em pleno século XXI.

Chico Xavier e Divaldo Franco tornam-se os maiores exemplos dessa falsa sabedoria, dessa confusão um tanto hipócrita de ignorância e humildade com sabedoria, por parte de Chico, ou da pose de serenidade professoral de palavras bem articuladas e argumentos muitas vezes falsos, mas verossímeis, por parte de Divaldo.

Eles trazem em si essa falsidade de palavras bonitas, que alimentam o poder dominador e castrador do "movimento espírita", por meio de "dóceis" lições moralistas, "palavras de amor" que adoçam corações e envenenam vidas, como é o caráter azarento que frequentemente marca o "espiritismo" em muitas pessoas.

Modernos fariseus, falsos profetas contemporâneos, Chico (in memoriam) e Divaldo puxam uma legião de seguidores e discípulos que fazem a mesma coisa: posam de humildes enquanto usam palavras bonitinhas para ludibriar as pessoas e promover o conformismo que trava o verdadeiro progresso social na humanidade, sobretudo no problemático Brasil.

Palavras como verdadeiras mercadorias sentimentais, dadas de graça para os ouvintes, sob o preço de sua submissão ao conformismo que o moralismo religioso determina às pessoas. Tudo fica para a vida futura, porque as pessoas têm que aguentar seu sofrimento sem criticar - como "aconselha" Emmanuel - e sem ficar triste - como "aconselha" Joana de Angelis - , mas "amando tudo isso".

Dessa forma, os modernos falsos profetas do "espiritismo" brasileiro, que traem as lições de Jesus bem mais do que o delator Judas Iscariotes, e condenam com dóceis palavras as pessoas a aguentar seu sofrimento e suas limitações, escravas da fé e da diabetes verborrágica dos falsos profetas contemporâneos, a procurar novos Jesus para crucificar com seu moralismo pseudo-sábio.

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