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Quem financiou as viagens dos palestrantes e "médiuns" do "espiritismo" brasileiro?

(Autor: Professor Caviar)

Os "médiuns espíritas", oficialmente, vivem em plena renúncia do dinheiro. Há, claro, a exceção de João Teixeira de Faria, o João de Deus, curandeiro que não consegue esconder suas funções de latifundiário e empresário, tendo inclusive investido em bingo.

Mas Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco tornaram-se famosos pelo alegado desapego ao dinheiro, como se fossem pessoas eminentemente espiritualizadas. Será mesmo? Figuras como essas, cuja "caridade" é muito festejada mas apresenta sérios problemas - os benefícios trazidos aos necessitados não foram muitos e, no caso das "cartas mediúnicas", há uma série de aspectos negativos que vão do sensacionalismo às fraudes, além de expor de forma ostensiva as tragédias familiares - , apenas não tocavam em dinheiro, mas há quem pague as contas por eles.

Chico Xavier e Divaldo Franco acumularam prêmios na Terra, pelo muito pouco que fizeram. Muitos se esquecem que a suposta filantropia de ambos apenas atua em finalidades paliativas, se constituindo não na tão alardeada Assistência Social, mas, antes, no Assistencialismo, que é aquela "caridade" que faz alguma coisa mas não combate a pobreza por definitivo e promove mais o "benfeitor". 

Eles apenas não tocavam em dinheiro, o que sugere que eles carregaram - Divaldo ainda carrega - uma imagem de "pobreza e humildade". Chico Xavier não morreu pobre, morreu no conforto que sempre teve, ele que foi protegido da grande mídia, dos dirigentes "espíritas", dos políticos conservadores e até de setores do empresariado. E os dois "médiuns" ainda receberam prêmios diversos, condecorações, medalhas, prêmios, não por razões humanistas, mas por motivações religiosas.

E quem financiava as viagens desses e de outros figurões "espíritas", não apenas os "médiuns", mas os meramente escritores ou palestrantes? Enquanto isso, locais onde se situam instituições "espíritas" sucumbem à degradação e à violência - alguns casos degradantes estão no Instituto Dr. March, em Niterói, no Paulo e Estêvão, em Salvador, situados em bairros de altíssimo índice de criminalidade, que nunca é resolvida - , sem que alguma mudança profunda seja feita pelos "espíritas", que pela grandeza com que se autoproclamam "cidadãos do mundo", deveria ter ocorrido faz tempo.

Livros são vendidos em considerável quantidade, eventos em pomposos hotéis e centros de convenções são realizados, prêmios são distribuídos aos palestrantes e/ou "médiuns" do "movimento espírita", eles aparecem em colunas sociais ao lado de ricos e poderosos, mas os resultados de sua "transformadora caridade" são, na melhor das hipóteses, medíocres.

E esses "espíritas" não vão fazer palestras para os ricos para fazer cobranças enérgicas de ajudas e investimentos no combate à pobreza. Mesmo em sua teatralidade, Divaldo Franco só fazia elogios aos que acolheram em diversos eventos, pois o "médium" nem sequer cobra perícia técnica de uma "farinata", quanto mais cobrar medidas para combater a pobreza.

E o Brasil? Atingiu níveis escandinavos de vida? Não. A grandeza dos "médiuns espíritas", tidos como "cidadãos do mundo", pessoas "iluminadas e humanistas" e "grandes líderes ativistas", deveria significar uma responsabilidade maior e uma capacidade quase indiscutível de transformar a sociedade. Nunca fizeram isso. Suas "transformações" nunca passam de resultados medíocres, ínfimos, inexpressivos, para não dizer provisórios.

Divaldo Franco é considerado "o maior filantropo do Brasil" beneficiando 0,0012% da população do país. Risível porque até o MST, que a mídia hegemônica chama de "entidade criminosa" mas é apenas uma organização de trabalhadores rurais sem terra, dá um banho em caridade e ajuda ao próximo, com projetos educacionais que ensinam as pessoas a agir diante dos problemas do mundo e com projetos de alimentação que, em vez de investir num engodo, propõe a democratização da terra e o estímulo à agricultura familiar de pequeno e médio porte.

Chico Xavier fazia todo aquele espetáculo de "caridade-ostentação" com as tais "Caravanas do Amor", com fileiras de carros buzinando e anúncios no auto-falante, causando aplausos das pessoas durante todo o percurso, ganhando um alarde da imprensa local e tudo, para apenas fazer doações pequenas de roupas, objetos de primeira necessidade ou cestas básicas que, nas mãos dos pobres, se esgotam em três semanas, enquanto a "ação caridosa" é festejada por muito mais tempo.

Temos que analisar esses problemas e deixar de lado as paixões religiosas. Parar com a fascinação obsessiva, a subjugação e deixarmos de ser escravos da mística que envolve esses "médiuns". Se há algum problema sério com eles, é preciso averiguar, analisar, questionar, sair da complacência medieval em favor deles. Até porque esses "médiuns" e outros palestrantes "espíritas" já cometem o maior erro, o de deturpar e desfigurar a Doutrina Espírita, grave demais para receberem qualquer tipo de complacência.

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