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Discípulo de Chico Xavier, Divaldo Franco fez muito mal ao mundo

(Autor: Professor Caviar)

Se Francisco Cândido Xavier cometeu o gravíssimo erro de corromper a Doutrina Espírita com suas pregações igrejistas de essência medieval e praticar fraudes mediúnicas, pastiches literários e tantas irregularidades (Chico Xavier defendeu até a ditadura militar e pedia para que orássemos até para o DOI-CODI), seu discípulo e amigo Divaldo Franco fez um erro menos diversificado, mas muitíssimo grave: o de espalhar a deturpação do Espiritismo para todo o mundo.

Com sua voz de padre, o baiano Divaldo Pereira Franco, fundador da Mansão do Caminho - instituição que, em 63 anos de existência, só ajudou 0,08% da população de Salvador e ainda assim é definida como "uma das maiores instituições filantrópicas do mundo" - ao lado do falecido Nilson Pereira, o "Tio Nilson" - é tido como um dos "maiores oradores espíritas" do mundo.

No entanto, Divaldo Franco segue o estereótipo antiquado do velho professor catedrático dos anos 1940. Se bem que, entre ele e o professor Aristarco, do livro O Ateneu, de Raul Pompeia (1863-1895), preferimos o personagem literário (que Raul definiu e desenhou - era também cartunista - com base num professor do Colégio Dom Pedro II, no Rio de Janeiro).

Como um professor "das antigas", Divaldo Franco, não bastasse sua voz de padre de missa católica, adota um discurso rebuscado, cheio de palavras excessivamente cultas, uma retórica empolada e prolixa na qual há excesso de informações e uma oratória envolvente, feita para seduzir e deslumbrar as pessoas diante desse igrejismo retrógrado falado durante cerca de uma ou duas horas.

O verborrágico Divaldo Franco realizava turnês pelo Brasil e pelo mundo distorcendo e deturpando o pensamento original da doutrina kardeciana, se aproveitando de seu malabarismo das palavras e de sua esperteza de charlatão mistificador para, assim, vender a falsa imagem de "fiel cumpridor dos ensinamentos de Allan Kardec".

Como um mau aluno que aprendeu mal as lições de um professor e espalha à sua maneira o indevidamente aprendido, Divaldo Franco espalha o vírus da deturpação da Doutrina Espírita pelos quatro cantos do mundo. Se é que Divaldo aprendeu alguma lição de Kardec, o que é, aliás, uma grande mentira, pois é muito fácil, vendo na foto acima, posar e fingir que está lendo uma obra de alguém.

Divaldo Franco dizia que não tinha tempo para ler Jean-Baptiste Roustaing, o deturpador francês da Doutrina Espírita. Na prática, porém, esteve mais próximo do roustanguismo do que do pensamento kardeciano, devido ao seu apelo igrejista e às bobagens místicas que acreditava. Na verdade, Divaldo Franco nunca teve tempo mesmo para ler os livros de Allan Kardec, porque, se tivesse lido um único parágrafo deles, o "medium" baiano veria o ridículo das práticas e pregações que faz.

A verdade é que Divaldo Franco fez muito mal para o mundo, pregando a deturpação do Espiritismo. Se as ações dele eram menos diversificadas que as de Chico Xavier - que lançou livros de diversos temas, participou de supostos atos de materialização, fazia psicofonia e tinha compromissos de verdadeiro astro pop - , a influência dele no exterior tornou-se maior e muito mais nociva.

Chico Xavier pecou porque causou muitas confusões com seu pseudo-espiritismo, com sua pretensa mediunidade que demonstrou apenas dons limitados - ele falava com a falecida mãe e com o padre jesuíta Emmanuel e via espíritos, mas na verdade não foi além disso - e tentou ser o maior ídolo religioso do Brasil com sua trajetória cheia de contradições, confusões e equívocos gravíssimos.

Já Divaldo Franco, não tão badalado no Brasil quanto seu colega mineiro, tornou-se mais destacado no exterior, com suas palestras rebuscadas, pregando um "espiritismo" completamente deturpado, em palestras pedantes, prolixas, rebuscadas e, portanto, irresponsáveis.

É através das palestras no exterior que Divaldo Franco comete o maior prejuízo para o mundo. Espalha a mentira travestida da "boa palavra", se promove às custas das esperanças alheias ao difundir bobagens como "crianças-índigo" e "planetas-chupões", ilusões comparáveis aos devaneios pseudocientíficos da Cientologia, já que o cientólogo alienígena Xenu é tão ridiculamente esotérico e fictício quanto o Kryon que Divaldo pegou emprestado de um casal de místicos.

Divaldo prejudicou o planeta espalhando uma interpretação totalmente errada da Doutrina Espírita, cometendo, assim, não só uma desonestidade em relação a Allan Kardec, do qual o baiano diz ser "seguidor rigorosamente fiel", mas um desserviço à sociedade, ao espalhar tantas e tantas mentiras.

Uma das provas que Divaldo Franco nem de longe é o "kardeciano rigoroso e exemplar" que tanto fala é que ele tem mania de estabelecer datas fixas para definir tempos de regeneração da humanidade, algo que o próprio pedagogo francês condenava em mais de uma ocasião, como em O Livro dos Médiuns e A Gênese. Em O Livro dos Espíritos, Kardec citou as recomendações do espírito de São Luiz:

"Os Espíritos levianos são ainda reconhecidos pela facilidade com que predizem o futuro e se referem com precisão a fatos materiais que não podemos conhecer. Os Espíritos bons podem fazer-nos pressentir as coisas futuras, quando esse conhecimento for útil, mas jamais precisam as datas. Todo anúncio de acontecimento para uma época certa é indício de mistificação".

Pois Divaldo Franco tornou-se mistificador na medida em que fixou datas para o futuro da humanidade. Ele aliás deu duas datas: 2052 e 2057, ambas em causa própria. A primeira, referente aos cem anos da Mansão do Caminho. A segunda, como uma bajulação a Kardec, por ser ano dos 200 anos de O Livro dos Espíritos.

Quem assiste às reprises de A Escolinha do Professor Raimundo no canal Viva conhece o personagem Rolando Lero, interpretado pelo saudoso Rogério Cardoso. No seriado criado por Chico Anysio (que daria um médium muito melhor que Chico Xavier), Rolando bajula o professor Raimundo Nonato (feito pelo próprio Chico), se achando um de seus alunos mais exemplares.

Rolando Lero adota uma postura pretensamente erudita, faz declamações, julga saber de todas as coisas, mas quando responde a alguma pergunta do professor, responde errado, leva nota zero e se recolhe, indignado.

Parece o próprio Divaldo Franco diante de Allan Kardec. O bajulador barato, metido a bom aluno, posando de culto e bem aplicado, mas quando responde aos ensinamentos mais elementares, faz errado e, certamente, levaria uma nota vermelha do pedagogo francês. Um zero por fixar datas para o futuro, outro zero por acreditar nas surreais "crianças-índigo", outro por falar em "planetas-chupões".

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