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"Caridade espírita": mais vaidades, menos benefícios

(Autor: Professor Caviar)

Muitos exaltam a suposta filantropia dos "espíritas". Acham que ela é "transformadora" sem realmente observar os resultados alcançados, que são ínfimos. Tomados de profunda cegueira emocional, os tietes dos festejados "médiuns espíritas" acham que basta o prestígio religioso deles para a "caridade" ser tida como "profundamente transformadora e revolucionária".

Mas, a respeito do equívoco dessa "caridade", muito oportunamente o jornalista e estudioso espírita, José Herculano Pires - o tradutor mais fiel ao texto original da obra kardeciana - , comentou sobre o "médium" baiano Divaldo Pereira Franco, em carta a um amigo e também jornalista, Agnelo Morato:

"(...) conduta negativa como orador, com fingimento e comercialização da palavra, abrindo perigoso precedente em nosso movimento ingênuo e desprevenido; conduta mediúnica perigosa, reduzindo a psicografia a pastiche e plágio – e reduzindo a mediunidade a campo de fraudes e interferências (caso Nancy); conduta condenável no terreno da caridade, transformando-a em disfarce para a sustentação das posições anteriores, meio de defesa para a sua carreira sombria no meio espírita". (os grifos são nossos)

Muitos não admitem sair do âmbito das ilusões, e se enfurecem quando alguém contesta a confortável fantasia da adoração aos "médiuns espíritas". A reação, irritada e dotada de muita ironia - na maioria das vezes fingindo comportamento melífluo e alegações jocosas como "o irmão está alterado", visando desqualificar o contestador - , desfaz a tese de que os adoradores dos "médiuns espíritas" estão sempre munidos de vibrações elevadas e protegidos de energias maléficas. A primeira contrariedade os faz reagirem como se fossem bestas monstruosas das profundezas do inferno.

ASSISTENCIALISMO X ASSISTÊNCIA SOCIAL

Os "espíritas" se gabam em dizer que sua "caridade" é "transformadora" e que consiste na prática de Assistência Social. Deturpadores e conservadores, os "espíritas" se apressam logo em sair bajulando, com baba de saliva na boca, figuras de progressismo autêntico: Dom Paulo Evaristo Arns e sua irmã Zilda Arns, Paulo Freire, Herbert de Souza etc.

Quanta hipocrisia! Mas os deturpadores traem Allan Kardec sem o menor escrúpulo, para depois saírem por aí se dizendo "absolutamente fiéis" a ele e jurando "respeitar rigorosamente" seus ensinamentos. Isso é um grande desrespeito e a crueldade chega aos níveis mais extremos quando se tem o cinismo de fazer, na Internet, montagens de fotos misturando deturpadores e espíritas autênticos.

É um horror. Pesquisa-se na Internet e o que se vê é a mistura de Jesus de Nazaré e Allan Kardec com Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco. Mistura-se os pobres-coitados Meimei e Humberto de Campos com Emmanuel e o fictício André Luiz. Criam-se fotos montagens onde Jesus e Kardec aparecem junto a Chico Xavier e Emmanuel. Devem ter sido sequestrados pelos dois últimos.

Essa associação é a mais deplorável, a mais abjeta, a mais ofensiva e a mais usurpadora, leviana e imoral atitude com que os "espíritas" podem fazer com seus precursores Allan Kardec e Jesus de Nazaré. Antes fizessem uma aversão honesta e sincera, do tipo "não gosto de Kardec porque ele vai longe com seu cientificismo", e aí deturpasse seus ensinamentos de maneira ainda leviana, porém mais honesta.

Isso tudo, na verdade, é um pano de fundo para vaidades desmesuradas, travestidas pelo mais branco véu de pretensa humildade, mas que não consegue esconder as presunções de "médiuns" e outros "espíritas" que vivem da comercialização de palavras e do recebimento de medalhas, troféus, condecorações diversas, homenagens mil, uma quantidade industrial de glórias e tributos que, todavia, não estão à altura dos resultados obtidos.

Divaldo Franco tornou-se o "maior filantropo do Brasil" com um risível atendimento de 163 mil pessoas na Mansão do Caminho, em Salvador, ao longo dos primeiros 63 anos de existência. Calculando esses números, pessoas chegaram a um índice que corresponde a 0,01 % de toda a população da cidade de Salvador, o que, em âmbito nacional, se torna ainda mais constrangedor: o índice cai para 0,0012%. Isso, em termos estatísticos, é o mesmo que NADA.

Que caridade é essa que traz poucos resultados e se sustenta apenas pelo prestígio do suposto benfeitor? Os próprios paradigmas de "caridade" dominantes são um problema: um simples alojamento de crianças pobres e velhinhos doentes, sujeitos a um tratamento assistencial até correto, porém medíocre, ou doações de roupas e cobertores velhos e mantimentos que se esgotam em poucas semanas.

Chico Xavier se promoveu com esse simulacro de "ativismo social", usando as tais "caravanas do amor" para abafar as acusações de deturpação e desonestidade doutrinária. Muito da imagem de "filantropo" de Chico Xavier é farsa escancarada, armada pelo tino publicitário de Antônio Wantuil de Freitas e, depois da morte deste, através dos mecanismos apelativos da máquina manipuladora da Rede Globo de Televisão.

Tomadas de paixões religiosas, um dos piores tipos de paixões materialistas, as pessoas glorificam os "médiuns", transformando-os em "santos" ainda em vida, com uma canonização que os "espíritas" julgam "superior" ao do Catolicismo, porque "movida pelo coração": a exaltação morbidamente emotiva a ídolos religiosos, a idolatria cega e leviana, que atrofia a razão e paralisa o raciocínio, tornando as pessoas reféns de sensações emocionais agradabilíssimas, porém traiçoeiras.

A "caridade" virou, como se viu na carta de José Herculano Pires, uma cortina de fumaça para a deturpação do Espiritismo, uma forma de mascarar problemas com ações supostamente positivas, que a realidade mostra não terem trazido resultado algum definitivo. Se a "caridade" dos festejados "médiuns espíritas" tivesse realmente dado certo, o Brasil teria atingido há décadas padrões escandinavos de vida, tal a grandeza com que se proclamavam ter os "médiuns".

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