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Frase de Chico Xavier baseada na Teologia do Sofrimento

(Autor: Professor Caviar)

Antes que os chiquistas corram para seus quartos, para tão tolamente chorarem copiosamente quando seu ídolo Francisco Cândido Xavier é acusado de fazer apologia ao sofrimento humano, prestemos atenção em suas frases.

Esta frase nem é das mais pesadas entre as que vinculam Chico Xavier à Teologia do Sofrimento, corrente medieval do Catolicismo que não é considerada unanimidade entre os próprios católicos. Mas ela, baseada no jogo de palavras do "médium" com suas mensagens simplórias, carateriza muito bem essa corrente:

"Não há progresso sem esforço, vitória sem luta, aperfeiçoamento sem sacrifício, assim como não existe tranquilidade sem paciência".

Teorizar o sacrifício humano como nesta frase é muito complicado. É como se dissesse "você não pode se dar bem na vida sem se dar mal". Esse joguete de prejuízos e benefícios é algo que a vida pode trazer, mas que não merecem teorias nem receitas morais de espécie alguma.

Além disso, pesssoas dotadas de insensibilidade e falta de humanismo podem dizer isso. Quantos patrões adorariam usar essa frase de Chico Xavier para justificar a opressão aos escravos? Além disso, alguns aspectos devem ser considerados, pela natureza retrógrada do "espiritismo" brasileiro.

Primeiro, a religião não é progressista. Essa constatação não provém de intolerância religiosa, mas das próprias mensagens que, sobretudo a partir do governo Michel Temer, os mais diversos palestrantes e escritores "espíritas" passaram a divulgar, fazendo apologia ao sofrimento humano, pedindo as pessoas para amarem a desgraça, abrirem mão de seus desejos, combaterem o inimigo em si mesmos etc.

Essas mensagens, que agora os "espíritas" tentam desmentir ou forjar interpretações metafóricas - paciência, as mensagens foram, antes, ditas ao pé-da-letra e de forma taxativa, sendo inútil voltar atrás e apelar para um hipócrita "não é bem assim que nós falamos" - , revelam, de forma subliminar, o apoio ao governo Temer e seus projetos infelizes, as "reformas" trabalhista e previdenciária, assim como medidas como a terceirização total e o congelamento dos gastos públicos.

Os "espíritas" saíram por aí espalhando, felizes, que "a regeneração começou", e que "o Brasil agora será o Coração do Mundo", enquanto nossas riquezas são levadas por companhias estrangeiras e o povo brasileiro fica mais empobrecido.

Por outro lado, os "espíritas" andam dizendo que a redução salarial "motivará o desapego", a precarização do trabalho "é um saudável desafio à fé e à perseverança", a pejotização é um "título nobre aos trabalhadores, vistos agora como instituições" e a prevalência do negociado sobre o legislado no acordo trabalhista "estimulará o diálogo aberto entre irmãos".

Talvez o nosso sacrifício maior é questionar e contestar, um por um, os postulados igrejeiros e medievais da religião popularizada por Chico Xavier, provando que a religião que traiu Allan Kardec não pode ser considerada fiel a seu legado. Dizer isso não é intolerância religiosa, mas uma cobrança aos próprios "espíritas" de alguma posição menos contraditória e, talvez, menos pretensiosa, como, por exemplo, a de assumir Jean-Baptiste Roustaing.

Para os "espíritas", fica fácil pedir aos outros mais sacrifícios, mais sofrimentos, mais lutas. Mas eles ficam excursionando pelo planeta, falando e escrevendo para os ricos, obtendo medalhas pomposas, colecionando prêmios na Terra e se julgando, no achismo, já terem o passaporte para o céu. Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

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