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Chico Xavier fala em morte sem mudança essencial da pessoa. Sério?

(Autor: Professor Caviar)

Uma frase curta de Francisco Cândido Xavier é o retrato da mais absoluta hipocrisia de sua trajetória, se observarmos bem a natureza de seus trabalhos.

A frase é a seguinte: "A morte é a mudança completa de casa sem mudança essencial da pessoa". Um joguinho de palavras simplório para entreter os incautos e fazer eles acharem que é mais uma "linda frase de amor e sabedoria".

Se observarmos os livros "psicográficos" de Chico Xavier, a frase é um completo disparate. Isso porque ele mesmo lançava livros que, evocando os mais diversos espíritos falecidos, eles tinham uma única e negativa certeza: a tal mudança essencial da pessoa era simbolicamente afirmada em vez de negada.

Em outras palavras, a pessoa falecia e "voltava" com mudança completa de essência. Humberto de Campos, por exemplo. Aquele estilo original dele, com escrita ágil e descontraída, linguagem culta mas acessível e temas laicos e, por vezes, até satíricos, desapareceu por completo, e a essência original de Humberto foi exterminada pela obra "mediúnica" que usou seu nome.

De repente não se via sequer sombra da personalidade do autor maranhense, embora de maneira forçada fossem incluídas referências de sua vida pessoal, para forçar vínculo. A farsa "mediúnica" feita com gosto por Chico Xavier (com colaborações de Antônio Wantuil de Freitas e da equipe do periódico Reformador, e, às vezes, de Waldo Vieira) contradiz a sua "sábia" frase, porque o próprio "médium" alterava a "personalidade" do morto, rompendo com sua essência original.

No caso de Humberto, o acadêmico e renomado escritor, de estilo neo-parnasiano e quase modernista, dava lugar ao deprimente escriba de textos pesados, de temática bastante limitada e infeliz, alternando entre relatos bíblicos e pregações moralistas de cunho bastante conservador. Ou seja, um Humberto essencialmente MUITO DIFERENTE do original.

Pior situação foi a jovem poetisa potiguar Auta de Souza, que só viveu 25 anos de idade. Em vida, a jovem tinha um estilo próprio, bastante pessoal, adotando um lirismo quase infantil e de alta sensibilidade feminina. Seus versos pareciam bastante graciosos e garantiam leitura deliciosa pela sua expressividade poética.

De repente, Chico encanou de trazer supostos "versos mediúnicos" sob o nome de Auta de Souza. E qual foi o resultado? Nenhuma sombra do lirismo original de Auta. De repente a suposta "Auta de Souza" passou a ter o estilo pessoal de Chico Xavier, o que os chiquistas acham maravilhoso, investindo na pergunta, ao mesmo tempo falaciosa e imbecil: "quem não quer ter o estilo iluminado do grande Chico Xavier?".

É correto que a pessoa, quando morre, preserva sua essência pessoal. Mas Chico Xavier, quando disse a tal frase, cometeu contradição com aquilo que ele fazia em seus trabalhos "mediúnicos", pois os "mortos" que ele evocava perdiam a sua essência original e passavam a ter o estilo pessoal do "médium". O que significa que esta frase expressou a mais pura hipocrisia de um grave deturpador do Espiritismo.

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