No "Espiritismo", oprimidos prejudicados, opressores protegidos

(Por Manuel Nascimento, via e-mail)

Que moral é essa que prega o espiritismo no Brasil? Muito diferente da coerência lógica de Allan Kardec, os nossos espíritas parecem se voltar a um moralismo ao mesmo tempo piegas e severo.

Vejam como eles falam do sofrimento humano. Há dois pesos e duas medidas. Ao sofredor, pede-se paciência e aceitação a todo tipo de desgraça, ainda que o "remédio" das desilusões e sacrifícios seja dado acima da dose e oprima demais a alma, como num animal acuado.

Já ao algoz, que comete abusos e crimes muitas vezes severos, se pede o perdão absoluto e incondicional. Se o oprimido é prejudicado pelo opressor, o oprimido é até aconselhado a agradecer por isso, como se isso lhe desse força. É esse moralismo de Chico Xavier, um tanto sado-masoquista, que faz com que nossa sociedade fique ainda mais desigual e injusta, por mais que esse papo mole dos ditos "espíritas" venha falar em caridade, bondade e progresso moral.

Vemos o caso da pediatra de uma cidade de Mato Grosso que não quis atender uma criança porque ela cumpria "resgates espirituais" por ter sido vítima de um estupro. Isso é chocante e não vem só da pediatra. Chico Xavier também fez das suas acusações, e criou um sistema moralista no qual a vítima é tida como culpada e o algoz é um "justiceiro" das "leis morais".

Isso é muito ofensivo para quem sofre, porque em muitos casos o sofrimento não é moleza. A menina não estava se divertindo quando foi estuprada, ela foi agredida da forma mais torpe, humilhante e assustadora possível, como num assalto em que, em vez do dinheiro, ela tenha que dar sexo para seu agressor.

Além disso, esse moralismo dos pretensos espíritas só serve para manter as desigualdades sociais e a "caridade" que tanto defendem como "transformadora" e "revolucionária" não é mais do que um sistema de caridades frouxas que pouco ajuda, não enfrenta as injustiças sociais de cabeça erguida e só serve para propaganda dos pretensos benfeitores que promovem suas vaidades pessoais arrancando lágrimas dos inocentes. Infelizmente, o espiritismo feito no Brasil é complacente com as injustiças sociais.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Não há resgate coletivo. E isso o cotidiano nos explica com facilidade

Planeta "X", Chupão ou Nibiru: Respondendo a um leitor ramatisista

Madre Teresa de Calcutá e a caridade como mercadoria