O que representa Chico Xavier para nós

(Autor: Profeta Gandalf)

O fanatismo em torno do mito Chico Xavier poupa seus admiradores mais exaltados de qualquer análise. Graças ao prestígio dado ao suposto líder, ficou difícil e até impossível analisar os erros visíveis nos trabalhos do médium mineiro, quase todos discordantes da doutrina codificada por Kardec.

Seus defensores, demonstrando falta de discernimento e a mais autêntica fé cega tipicamente católica, embora enrustida, seguem um padrão em seus comentários de defesa (interessante como pessoas que não costumam discernir, adoram padronizações...), do tipo "estão ofendendo o Chico", "ele é tão bondoso" (como se a bondade dele, obrigação de todo o ser humano, pudesse garantir a inclusão da sabedoria). São sempre os mesmos argumentos de defesa, com as mesmas palavras até, todos parecendo previamente ensaiados.

Agora vamos calar a boca desses defensores fanáticos, usando o discernimento. Sabe o que achamos de Chico Xavier? Uma pessoa bondosa, que fez muitos benefícios as pessoas e que recebia espíritos que se comunicavam falando suas opiniões pessoais, infelizmente, em alguns casos, posando de falsos sábios.

Chico não verificou a veracidade das suas comunicações e, por orientação da FEB, publicou-as imediatamente, travestida de pós-doutrina. Não fez por maldade e sim por ingenuidade, acreditando com isso estar esclarecendo as pessoas, quando na verdade fazia o contrário. 

Os verdadeiros culpados eram os espíritos  obsessores que andavam com ele, fingindo ser seus guias, que na tentativa de impor as suas convicções pessoais, mandavam mensagens de evolução moral como isca para melar tudo depois nos momentos de falso cientificismo. Entre esses autênticos zombeteiros, estavam o eterno jesuíta Padre "Emmanuel" da Nóbrega e o provável personagem fictício André Luiz, cuja suposta evolução espiritual se deu a jato, numa velocidade impossível para qualquer espírito, transformando-se de um homem se má índole para um espírito "superior" num piscar de olhos. Esses sim são os culpados. A única culpa de Xavier foi ter agido de boa fé e não ter verificado as comunicações.

As obras de Chico Xavier nada tem a ver com a doutrina, sendo consideradas como tal pelos brasileiros e pelos que assistem as palestras dadas por palestrantes de nosso país. Xavier nunca deixou de ser católico (o filme biográfico sobre ele deixa isso claro), não sabia sobre muitos pontos do Espiritismo e se recusou a voltar para a cidade natal porque foi excomungado pelo padre, em respeito à verdadeira crença que tinha.

Para aqueles que dizem que Chico era Kardec, isso é um absurdo que não faz sentido. Um absurdo negado pelo próprio Chico, que disse no programa de entrevistas Pinga Fogo, em 1971 (ano em que eu nasci) que era reencarnação de um intelectual falido, que fez mau uso de sua sabedoria e de seu raciocínio, sendo "punido" (Deus não pune ninguém; tudo é resultado de nossas ações) com a ignorância e com a submissão a outros. Kardec, falido? Nunca! Kardec está entre os mais bem sucedidos dos intelectuais.

Além disso pelos traços de personalidade bem diferentes e pela posição antagônica na compreensão e difusão da doutrina, é evidente afirmar que a tese de que Xavier era Kardec é um absurdo impossível de ter acontecido. É um assunto fechado que não merece mais debate.

Criticar Chico não é ofender. Criticar ajuda na evolução. Apontando os erros, ajudamos as pessoas a se corrigirem e se tornarem seres melhores. Por incrível que pareça, respeitamos muito mais Chico Xavier ao criticarmos do que ao aplaudir seus erros. Afinal, nem ele era perfeito.

Xavier ainda vai voltar para aprender muito, assim como seus supostos guias. E seus seguidores fanáticos, terão que aprender muito mais, principalmente a não confiar cegamente em ninguém e a aprender a analisar se tudo o que é dito está de acordo com a lógica, usando a objetividade e o discernimento, se baseando nas instruções citadas nos livros de Kardec, que pelo jeito, adivinhou que toda essa deturpação iria acontecer.

Nunca ofendemos Chico Xavier. Apenas queremos que ele seja colocado em seu lugar, longe da doutrina que ele nunca abraçou e que involuntariamente contestou. Respeitar é procurar a amarga verdade, não defender doces mentiras.


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