Perdido no moralismo irracional, "Espiritismo" brasileiro derrota a si mesmo

(Autor: Kardec McGuiver)

No início dos anos 90, o "Espiritismo" brasileiro, na verdade uma deturpação igrejeira do Espiritismo original de que quase nada se aproveitou, esteve em seu auge graças ao modismo chamado "Nova Era", em que se acreditava que com a virada de século, grandes mudanças para melhor viriam de forma certa e inadiável, o que acabou não acontecendo. 

Hoje, vivemos num sério retrocesso que praticamente jogou na incineradora quase todas as lições que aprendemos no século XX. Todo o planeta está confuso e em clima de apreensão. Ondas de ódio varrem o bom senso das redes sociais. Pessoas desesperadas com a crise econômica de 2008 querem eliminar pessoas que ameacem seus direitos ou privilégios. E os "espíritas" assistindo de braços cruzados em um seguro camarote o mundo e principalmente o Brasil se auto-destruírem.

Sabe-se que o "Espiritismo" brasileiro se revelou como uma farsa. O legado racional de Allan Kardec foi jogado na lixeira, trocado por um moralismo retrógrado e um pieguismo bocó. Sem saber como explicar a decadência da realidade que os rodeia, "espíritas", integrantes da seita supostamente mais racional do planeta, se limitam a recomendar orações e conformismo, já que se demonstraram incompetentes para resolver, ou no mínimo analisar, os problemas que ocorrem hoje.

No seu auge, na época do modismo da "Nova Era", foi muito divulgada uma suposta profecia baseada em um sonho banal tido pelo beato Chico Xavier, de conteúdo coerente com a sua fé católica e que foi interpretada omo profecia por um jovem seminarista que decidiu divulgá-la para aumentar ainda mais o hiperbólico prestígio de Xavier agregando o atributo de profeta a muitas de falsas qualidades atribuídas ao beato e suposto médium.

Esta suposta profecia, por ter base religiosa e ter informações que vão contra a fatos reais, com graves erros de geografia e sociologia, acabou por gerar polêmica. Mesmo entre os admiradores do beato existe divergência em relação a validade da suposta profecia, na verdade uma interpretação de um jovem seminarista e desejo deste de impulsionar a fama do beato que admirava.

Na verdade, a tal suposta profecia já foi descartada na prática pois se mostrou incompatível com fatos reais. Afinal era apenas o conteúdo de um mero sonho e não é porque o beato Xavier seja considerado uma liderança religiosa que o sonho tivesse a obrigação de ser tratado como profecia. Foi um forçamento de barra para promover o beato como liderança influente e favorecer a venda de seus livros.

O que se pode dizer é que com a onda de ódio e retrocessos que fazem com que os privilegiados apelem para medidas sádicas para garantir seus privilégios praticamente acabou com a doutrina brasileira. Por ignorar a racionalidade kardeciana, "espíritas" ficaram embasbacados diante tanta decadência e se isolam tentando apelar para ilusões, criando uma realidade paralela que só existe dentro de centros "espíritas", cada vez mais vazios, pela demonstrada incompetência para a racionalidade.

Por isso, o "Espiritismo" brasileiro, cada vez menos racional e mais moralista, segue se auto-derrotando de forma rápida, preferindo trocar a razão pela fé, a realidade por ilusões e estimular um perigoso conformismo que fara com que tudo alegado pelos "espíritas" brasileiros aconteça no oposto do previsto, mostrando que largar a racionalidade kardeciana foi um grave erro suicida.

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