(Autor: Kardec McGuiver)
O caso ocorrido na Espanha acendeu uma luz amarela para nosso blog. A acusação de charlatanismo foi considerada uma ofensa, mesmo sem sequer verificada. Além do charlatanismo, o "Espiritismo" pratica de fato, infelizmente, desonestidade doutrinária, pois fala muito sobre Allan Kardec, mas defendendo pontos que contradizem com as teses do codificador francês.
Mal algo pode ser feito para reverter isso. São duas maneiras: ou os "espíritas" fazem uma revisão doutrinária na religião em que acreditam e desistem de tudo que foi feito pela FEB, inclusive descartando - sim descartando, jogando fora - Bezerra de Menezes, Chico Xavier, Divaldo Franco e similares. Estes são os deturpadores que inseriram um monte de ideias estranhas que arruinaram a doutrina original.
Ou, na hipótese de querer preservar o repertório dogmático, que soa tão agradável aos próprios seguidores, poderiam fazer o oposto, seguindo os pontos abaixo:
PARA COMEÇAR, MUDAR DE NOME
Já que o repertório dogmático do que os brasileiros conhecem como "Espiritismo", não tem nada a ver com o original, aproveitando apenas a tese da reencarnação e da comunicação com os mortos, teses presentes também em outras religiões orientalistas, deveria urgentemente mudar de nome.
O nome ficaria a cargo das próprias lideranças, que escolheriam um nome de acordo com os dogmas em que acreditam. "Espiritismo" não serve mais, pois é um temo escolhido por Allan Kardec, responsável por teses desprezadas pelos "espíritas" brasileiros que preferiram fazer uma espécie de Catolicismo híbrido, reencarnacionista, sem ouro e sem batina.
ESQUECER ALLAN KARDEC
Na prática, os "espíritas" se esqueceram de Allan kardec. Praticamente só se lembram dele na hora de bajulá-lo ou de usar seu nome para tentar autenticar teses absurdas. Mas as teses lançadas nos livros do professor francês são praticamente descartadas.
Há a desculpa esfarrapada de "obsolescência" das ideias de Kardec, se esquecendo do fato de que, apesar de ter vindo posteriormente, as ideias de Chico Xavier são baseadas no catolicismo medieval que ele sempre seguiu até morrer. Apesar de ser considerado "maior líder 'espírita'", Xavier na verdade era fiel de outra religião e suas ideias eram mais do que arcaicas, realmente obsoletas.
Assumir que o "Espiritismo" virou uma nova forma de Catolicismo, além de ser mais honesto, estaria de acordo com Chico Xavier, considerado verdadeiro líder para os "espíritas" brasileiros. Por ter sido sempre católico, Xavier não hesitou de enfiar um monte de enxertos no "Espiritismo", descaraterizando a doutrina.
Melhor assumir esta descaracterização, descartando de vez Allan Kardec, que na verdade nunca foi útil para os "espíritas" brasileiros, que tem medo de que suas teses destruam várias zonas de conforto construídas por Xavier, que nunca foi discípulo e muito menos reencarnação do professor francês.
ASSUMIR QUE SE TRANSFORMOU EM UMA IGREJA
Outra coisa a ser feita pelos que se acham "espíritas" é assumir que o que fazem não é uma doutrina científica e sim uma religião de fé-cega como quaisquer outras. Sem essa de "fé raciocinada" pois se fosse realmente utilizado o raciocínio, boa parte dos dogmas "espíritas" seriam derrubados e lideranças como Divaldo e Chico Xavier estariam falando para as paredes.
É melhor assumir a falta de racionalidade, se quiser preservar estas duas lideranças, além de outras similares, e focar na fé, já que acham que esta é mais importante. Evitar pensar muito, o que já fazem na prática, faz com que muitas teses absurdas surjam e sejam aceitas, permitindo contradições. Como "espíritas" não querem se desfazer de seus dogmas, assumir que tudo se transformou em uma igreja, seria mais honesto.
Somente com estas três medidas, o que os brasileiros conhecem como "Espiritismo" poderá se recuperar e continuar seguindo honestamente sem causar uma confusão doutrinária que é motivo principal de nossas críticas.
Se os "espíritas assumissem que seguem outra coisa, bem diferente do Espiritismo kardeciano, certamente pararíamos de criticar e os deixaríamos em paz. Afinal, não enfiaram o professor e sua racionalidade em algo para o qual ele não foi chamado.
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